Ata do Copom sinaliza fim do ciclo de alta da Selic
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Ata do Copom sinaliza fim do ciclo de alta da Selic
24 jun 2025

A Ata do Copom, divulgada nesta terça-feira (24), reforça que o cenário econômico segue desafiador e exige juros altos por um período prolongado. O documento aponta que a combinação de um ambiente externo adverso, resiliência na atividade econômica doméstica e expectativas de inflação desancoradas dificulta a convergência da inflação para a meta, o que justifica a decisão de elevar a Selic para 15% ao ano.
O Comitê destacou que o ambiente internacional permanece marcado por elevada incerteza, reflexo das tensões geopolíticas e da indefinição sobre a política fiscal dos Estados Unidos. Internamente, embora haja sinais de moderação no crescimento, o mercado de trabalho segue aquecido, e as projeções de inflação seguem persistentemente acima da meta, com estimativas de 5,2% para 2025 e 4,5% para 2026, segundo o Boletim Focus.
Pressões inflacionárias e riscos no radar
Ainda mais, a ata reforça que o cenário prospectivo de inflação segue desafiador. O Copom avalia que as incertezas no cenário internacional, combinadas com o conflito no Oriente Médio e uma trajetória fiscal incerta nos EUA, tornam o ambiente externo altamente volátil.
Internamente, a combinação de mercado de trabalho aquecido, crédito ainda robusto e consumo resiliente mantém a inflação pressionada. O Comitê alertou que a desancoragem das expectativas de inflação é um fator de desconforto, o que exige uma política monetária mais restritiva e por mais tempo.
Apesar de uma leve surpresa baixista na inflação de bens e alimentos, a inflação de serviços segue elevada, refletindo uma economia que ainda opera com hiato positivo.
Juros altos por mais tempo
Por isso, o Copom decidiu elevar a Selic em 0,25 ponto percentual, para 15% ao ano, e sinalizou que este pode ser o último aumento desse ciclo. O Comitê adotou uma estratégia de pausar para avaliar os impactos acumulados dos apertos anteriores, destacando que os efeitos da política monetária ainda estão em curso e levarão tempo para se materializar na economia.
Nesse sentido, o comunicado deixa claro que, embora haja uma pausa, a taxa de juros permanecerá em patamar significativamente contracionista por período prolongado, até que haja segurança de que a inflação caminhe de volta à meta.
Fiscal no centro das atenções
Contudo, o Comitê voltou a destacar que a condução da política fiscal é um dos principais fatores de risco. O aumento dos gastos públicos, as dúvidas sobre o controle da dívida e o avanço de créditos direcionados podem elevar a taxa de juros neutra da economia, tornando mais custoso o processo de desinflação.
“O esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal tem potencial de elevar a taxa de juros neutra, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária”, aponta a ata.
O que esperar daqui pra frente
Portanto, se o cenário atual se confirmar, com expectativas desancoradas e inflação resistente, o Copom não hesitará em retomar o ciclo de alta, caso considere necessário.
Ao mesmo tempo, o Comitê reforça que a pausa permitirá observar se o nível atual dos juros, mantido por um tempo suficientemente longo, será capaz de conduzir a inflação de volta à meta.

Redação It's Money
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