Casas Bahia: fundos com maior exposição aos R$ 4,8 bilhões em títulos de crédito
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Casas Bahia: fundos com maior exposição aos R$ 4,8 bilhões em títulos de crédito
18 ago 2026

O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial no último domingo (16), envolvendo cerca de R$ 4,8 bilhões em títulos de crédito privado. Esses títulos são compostos por debêntures e outros papéis, conforme dados da plataforma Vitrify obtidos pelo Valor Investe.
Essas dívidas têm vencimentos previstos a partir de março do próximo ano, mas a recuperação judicial suspende cobranças, abrindo uma disputa complexa entre credores, acionistas e a diretoria da empresa.
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Principais fundos expostos às debêntures
Os principais detentores dos títulos são coordenadores das ofertas (bancos emissores), fundos de investimento, empresas e investidores individuais. No encerramento das emissões, fundos responderam por 40% do total distribuído, e coordenadores por 46,7%. Embora pessoas físicas representem 1,49%, esse número pode ser maior devido ao mercado secundário.
Entre os fundos com maior exposição às debêntures da 11ª emissão estão Santander Brasil Gestão de Recursos, BB Gestão de Recursos, Valora Renda Fixa e Norte Asset Management. Ainda figuram, com participações menores, IRB Asset Management, Vinci Gestora de Recursos, BTG Pactual Asset Management e Mongeral Aegon, somando ao todo 18 gestores.
Risco concentrado em debêntures e CRI
A maior parte do risco está concentrada nas debêntures da 10ª emissão, com posições declaradas abaixo de 0,3% por gestores como Somma Investimentos, Mongeral Aegon e Franklin Templeton Brasil, indicando que investidores não divulgam suas carteiras ou não reportam mais suas posições.
No entanto, a maior concentração declarada ocorre no Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) identificado pelo código 20K0571487. Nesse título, Far Fator Administração de Recursos e Kinea Investimentos detêm cerca de 12% cada, seguidos por XP Vista Asset Management com aproximadamente 10%. A diferença aqui é que a Casas Bahia é locatária do imóvel, não devedora do papel.
Características das dívidas e garantias
Dentre os oito títulos ativos, seis têm a Casas Bahia como devedora direta, principalmente as três séries da 10ª emissão e as três da 11ª, que totalizam 89,7% do saldo. As séries 1 e 3 da 10ª emissão, BHIAA0 e BHIAC0, representam sozinhas R$ 3,64 bilhões, ou 75,8% do total, com vencimentos estendidos para 2050 e pagamento único ao final.
Outros títulos incluem o CRI 20K0571487, garantido pelo próprio imóvel, e o título TRSE16, de R$ 268 milhões, emitido com recebíveis cedidos ao Itaú Unibanco, que é o verdadeiro pagador.
Histórico da deterioração da dívida
O pedido de recuperação judicial decorre de um processo de deterioração financeira sinalizado desde 2021 pelas agências de classificação de risco, especialmente a Standard & Poor's, que rebaixou a companhia progressivamente até o status de default seletivo em maio de 2024 após uma renegociação extrajudicial.
O mercado secundário já precificava o risco, com papéis sendo negociados abaixo de 40% do valor nominal, refletindo a expectativa negativa mesmo antes da recuperação judicial ser formalizada.
Todas as dívidas ativas são resultado de reperfilamento, oriundas de renegociações em 2024 e 2025, e refletem a situação creditícia delicada da empresa.
Para mais informações detalhadas sobre o histórico e análises dos títulos, a plataforma Valor One oferece ferramentas de análise e painéis do mercado financeiro.
Fonte:
- Valor Invest

Redação It's Money
A redação do portal It’s Money é formada por um time de profissionais com ampla experiência editorial, com acompanhamento e revisão de jornalistas especializados.
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