Dólar acima de R$ 5,20 pressiona alimentos e combustíveis em meio a incertezas
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Dólar acima de R$ 5,20 pressiona alimentos e combustíveis em meio a incertezas
18 ago 2026

O dólar fechou estável em R$ 5,20 após atingir o maior nível em cinco meses, cotado a R$ 5,22, em meio a um cenário marcado por incertezas domésticas e internacionais. Entre os principais fatores, destacam-se a tensão geopolítica no Oriente Médio, as expectativas sobre a política de juros dos Estados Unidos e a proximidade das eleições brasileiras, que elevam a volatilidade e mantêm a moeda pressionada acima de R$ 5,20.
Segundo analistas consultados, a manutenção do dólar neste patamar depende da continuidade dessas incertezas. "A incerteza fiscal no Brasil persiste sem solução clara, enquanto o calendário eleitoral até outubro reforça o apetite por dólar", explica Vitor Kayo, economista sênior da Nomad.
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Impactos na economia e preços ao consumidor
A valorização do dólar influencia diretamente os preços ao consumidor, especialmente em alimentos como trigo, milho e soja, utilizados na produção de pães, massas e outros itens básicos da cesta alimentar. Fertilizantes e insumos agrícolas, cotados em dólar, também sofrem impacto, podendo elevar o custo da produção no campo.
Entretanto, o repasse da alta cambial para os preços não é automático ou na mesma proporção. Fatores como safra, oferta doméstica e concorrência determinam os ajustes, segundo Otávio Araújo, economista da ZERO Markets Brasil. "O câmbio é um dos componentes, mas a formação dos preços depende de múltiplos fatores", destaca.
Setores mais expostos e os efeitos para o Brasil
Combustíveis acompanham o câmbio devido à cotação internacional do petróleo em dólar, o que pode acelerar reajustes nos preços. O setor de eletrônicos sofre com o custo dos componentes importados, elevando o preço de produtos como celulares e computadores. Medicamentos com insumos estrangeiros também podem ser impactados.
Apesar disso, o dólar mais alto beneficia exportadores brasileiros, como os setores de agronegócio, mineração e indústrias de base, aumentando a competitividade dos produtos nacionais no exterior. O turismo interno também ganha atratividade frente ao encarecimento das viagens ao exterior.
Cenário externo e perspectivas para o câmbio
O mercado global apresenta aversão ao risco, sustentada pelas tensões no Oriente Médio e pela alta do petróleo acima de US$ 90 o barril. Essas variáveis, somadas à política monetária do Federal Reserve e ao fluxo de capitais, pressionam as moedas emergentes, mantendo o dólar forte frente ao real.
O índice DXY, que mede a força do dólar em relação a uma cesta de moedas, opera próximo a 99,6 pontos. Os investidores aguardam a divulgação da ata do Federal Reserve para entender os próximos passos na política de juros americana.
O avanço recente em rendimentos dos títulos do Tesouro americano acrescenta pressão sobre divisas emergentes, incluindo o real. "O risco eleitoral brasileiro reforça a visão de que o dólar permanecerá acima do patamar de R$ 5,16", avalia Eduardo Velho, economista-chefe da Bravonte Capital.
Fontes
- Terra
- Correio Do Povo
- Poder360
- AE News - Broadcast+

Redação It's Money
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