Começa a valer a marcação a mercado para renda fixa
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Começa a valer a marcação a mercado para renda fixa
3 jan 2023•Última atualização: 21 junho 2024

Desde ontem, 2 de janeiro de 2023, o investidor brasileiro passou a acompanhar as suas aplicações em renda fixa por meio da visualização com base na marcação a mercado.
A mudança, determinada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), proporcionará mais transparência aos valores de mercado de títulos como CRIs, CRAs, debêntures e títulos públicos negociados fora do Tesouro Direto.
Anteriormente, tais títulos seguiam a marcação na curva. Confira abaixo as principais diferenças na forma de visualização na renda fixa:
Marcação a mercado x Marcação na curva
Com a antiga marcação na taxa de compra (ou na curva), o investidor acompanha a evolução da rentabilidade do valor investido de acordo com a taxa contratada no momento da compra até a data de vencimento.
“Já a marcação a mercado mostra o impacto do que chamamos na renda fixa de ‘Risco de Mercado’ sobre os investimentos, que é a oscilação dos preços em decorrência de mudanças de perspectivas de mercado, podendo elevar ou reduzir o preço dos ativos”, explica Oscar Almeida, sócio e líder em Alocação e Estratégia de Renda Fixa na Blue3 Investimentos.
Na prática, hoje, os ativos de crédito privado e títulos públicos (negociados no mercado secundário, fora do Tesouro Direto já são marcados) a mercado em caso de venda antes do vencimento, porém, o investidor só tem acesso a essa informação ao solicitar uma cotação de saída antecipada para a corretora.
Com a nova regulamentação, o investidor poderá acessar frequentemente essa informação (do valor aproximado atual do seu investimento).
“Isso significa maior transparência e um poder de decisão mais ativo do investidor sobre as oportunidades de movimentação de compra e venda dos seus investimentos, o que beneficia toda a cadeia da indústria de títulos de renda fixa, pois gera maior liquidez e desenvolve o mercado”, afirma Almeida.
Importante salientar que o risco de mercado só se configura de fato caso o investidor precise resgatar o seu investimento antes do prazo de vencimento.
Caso contrário, se levado até o vencimento, a rentabilidade da aplicação será sempre de acordo com a taxa de retorno contratada no início.
Sendo assim, uma das características principais para os ativos de renda fixa, a de previsibilidade, permanece sempre que for respeitado o prazo de vencimento do papel.
Impactos com a marcação a mercado
Afora as mudanças quanto à visualização, muitos investidores estão preocupados se a nova regra impactará na rentabilidade dos investimentos.
Segundo Almeida, a venda antes do vencimento de títulos de renda fixa pode sim ter a rentabilidade alterada pela marcação a mercado, a depender das condições atuais de mercado, mas isso não é devido a nova regra.
“Como dito anteriormente, a marcação a mercado já existe, porém, o investidor só tinha acesso a essa informação em caso de solicitação de cotação de saída antecipada. O que a nova regra traz de novidade é que a visualização do preço atual dos títulos, marcados a mercado, passa a ser padrão. Já para os casos de o investidor manter o título até o vencimento, a rentabilidade será sempre igual a contratada”, pontua.
Outra pergunta muito frequente é se a marcação a mercado reduz risco de liquidez. A resposta é sim, conforme explica Almeida:
“A exemplo do que já ocorre em mercados mais desenvolvidos, como os Estados Unidos, a visualização da marcação a mercado, além de promover a educação financeira dos investidores, gera maior liquidez e promove o desenvolvimento do mercado de renda fixa como um todo".
Ainda de acordo com o especialista, com a nova regra, o investidor passa a ter uma gestão mais ativa sobre o seu portifólio de investimentos com maior volume de trocas, compra e venda, sempre que as oportunidades táticas estiverem conforme o seu planejamento estratégico.
Isso é importante, pois quanto maior a liquidez, maior a aderência dos preços de mercado ao valor justo dos ativos.
Já a tributação não sofre impacto com a marcação a mercado. “Permanecem as mesmas regras vigentes hoje para IR e IOF sobre os ativos de renda fixa”, ressalta Almeida.
Marcação a mercado e Transparência
Com a nova marcação a mercado, Almeida afirma que o investidor terá informações mais próxima de quanto vale o seu investimento no D0, conferindo uma maior a noção de quanto vale o seu patrimônio hoje.
A nova visualização também proporciona maior oportunidade de o investidor aproveitar os momentos em que seus títulos estiverem sobreavaliados, devido a condições favoráveis de mercado.
“Trata-se de uma mudança sensível, que requer maior proximidade do investidor com os profissionais que o auxiliam na gestão do seu patrimônio, além de uma maior busca por educação financeira para aqueles que ainda não entendem a dinâmica da marcação a mercado passarem a entender mais sobre a metodologia, utilizando-a de acordo com seu planejamento financeiro, objetivos e horizonte de investimentos”, finaliza o especialista.

Redação It's Money
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