Conflito no Oriente Médio aumenta desafios de crédito na América Latina, alerta Moody’s
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Conflito no Oriente Médio aumenta desafios de crédito na América Latina, alerta Moody’s
29 mai 2026

A agência Moody’s Ratings alerta que o conflito no Oriente Médio eleva os desafios de crédito na América Latina. Embora a região não dependa diretamente do petróleo do Oriente Médio, os efeitos secundários da turbulência no Estreito de Ormuz pressionam empresas, bancos e governos locais.
Segundo a Moody’s, a disrupção no Estreito deve persistir até pelo menos o outono de 2026. Isso deve pressionar a região por meio da alta dos preços de energia, aperto das condições financeiras globais e redução do apetite por risco dos investidores, e não por vínculos comerciais diretos com os países do Golfo Pérsico.
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Impactos setoriais na economia regional
Setores que consomem grandes volumes de combustível, como companhias aéreas, indústrias químicas e de materiais de construção, enfrentam maior vulnerabilidade.
A Moody’s destaca que as companhias aéreas na América Latina são sensíveis ao aumento do custo do combustível, mesmo sem dependência das rotas do Oriente Médio. O mercado competitivo permite que parte dos custos seja repassada aos passageiros, mas esse alívio é parcial.
Nas petroquímicas, o aumento global de preços dos polímeros melhorou temporariamente as margens, pese a demanda incerta e elevados custos energéticos. Empresas mexicanas como Alpek e Orbia seguem com fluxo de caixa e balanços pressionados. A cimenteira brasileira Votorantim Cimentos também enfrenta custos maiores e precisa ajustar preços.
Riscos para bancos e políticas econômicas
Para o setor bancário, Moody’s vê impacto limitado e neutro, graças à forte capitalização, liquidez e diversificação das carteiras domésticas. O maior risco é indireto, decorrente da inflação persistente e juros elevados, que afetam a renda das famílias e a capacidade de pagamento dos clientes.
O cenário inflacionário permanece elevado na região, com o IPCA em 4,4% no Brasil em abril de 2026, igualmente alto na Colômbia, México e Peru. Isso cria um dilema para as políticas públicas entre repassar os custos para os consumidores ou absorvê-los via subsídios, o que amplia déficits fiscais.
Moody's revisou para baixo as projeções de crescimento dos principais países: Brasil com 1,8% de alta do PIB em 2026, México com 0,9% e Argentina com 3,2%. A valorização das moedas locais diante do dólar mostra sinais de esgotamento, com exceção do real brasileiro, que apresenta volatilidade recente.
Por fim, a agência ressalta que, embora não espere deterioração imediata do crédito soberano latino-americano devido ao conflito prolongado no Estreito de Ormuz, o acompanhamento rigoroso de indicadores inflacionários, subsídios e condições de financiamento externo será fundamental daqui para frente.
Fonte: Moody’s Ratings e Valor Econômico.
Fonte:
- Valor Invest

Redação It's Money
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