Dólar avança a R$ 5,19 após quatro altas seguidas com impacto eleitoral e risco fiscal
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Dólar avança a R$ 5,19 após quatro altas seguidas com impacto eleitoral e risco fiscal
13 ago 2026

O dólar encerrou em alta pelo quarto pregão consecutivo, fechando a R$ 5,19 nesta quinta-feira (13), refletindo a desconfiança do mercado diante do cenário eleitoral no Brasil e o impacto do rebaixamento da recomendação do país pelo JPMorgan no exterior.
A moeda americana manteve-se acima dos R$ 5,19 durante a sessão, atingindo máxima próxima do teto de R$ 5,20. No acumulado da semana, a alta chega a 2,15%, enquanto no mês de agosto o avanço do dólar frente ao real soma 2,42%, após recuo de 1,79% em julho. Entre as maiores moedas líquidas, o real apresenta o desempenho mais fraco no mês.
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Dólar impulsionado por fatores internos e externos
O movimento expressa a contínua redução das posições de investidores estrangeiros nos ativos brasileiros desde a última terça-feira, quando pesquisas confirmaram o favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida presidencial e o JPMorgan rebaixou a avaliação de risco do Brasil. A combinação desses fatores elevou a volatilidade da taxa de câmbio e ampliou o prêmio de risco para o país.
Além disso, o projeto de lei complementar que altera a tributação de combustíveis gerou críticas por incluir benefícios setoriais e liberar gastos fora da meta fiscal para 2026, afetando a percepção sobre a trajetória fiscal brasileira. Atividades legislativas recentes indicam a adoção de um mecanismo para limitar o crescimento das despesas públicas a partir de 2027, mas sem garantir redução da relação dívida/PIB.
Impactos no mercado e perspectivas para o câmbio
Analistas apontam que o pacote fiscal tende a piorar o risco fiscal e contribui para a saída de capital estrangeiro. Apesar disso, o juro real elevado mantém a pressão sob controle, pois sem ele o dólar poderia atingir níveis próximos a R$ 5,40 ou R$ 5,50, segundo operadores. Na cena internacional, o índice DXY, que mede o dólar contra seis moedas fortes, teve leve queda, após superar brevemente os 100 pontos.
As taxas dos títulos do Tesouro dos EUA recuaram após dados indicarem inflação ao produtor moderada em julho, complementando o cenário já apontado pela inflação ao consumidor (CPI) divulgada na véspera. A expectativa dos mercados é que o FED adie novos aumentos na taxa básica de juros para dezembro, especialmente se houver reabertura do Estreito de Ormuz e queda nos preços do petróleo.
Segundo especialistas, o comportamento recente do real reflete um movimento de curto prazo motivado pela incerteza eleitoral e realocação de portfólio nos mercados emergentes. Essa volatilidade deve persistir até que haja maior clareza nas propostas fiscais dos principais candidatos e definição do resultado eleitoral.
De acordo com o diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, Cristiano Oliveira, o diferencial de juros ainda mantém suporte ao real, assim como os termos de troca favoráveis e os saldos comerciais robustos. Portanto, o movimento ocorrido não configura uma tendência estrutural para a moeda brasileira.
Fontes
- Correio Do Povo
- Diario Do Comercio
- Folha De Pernambuco
- AE News - Broadcast+

Redação It's Money
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