Dólar estável em R$ 5,41 com tensão política pressionando bolsa e juros futuros
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Dólar estável em R$ 5,41 com tensão política pressionando bolsa e juros futuros
8 set 2025•Última atualização: 8 setembro 2025
O dólar fechou a segunda-feira (8/9) praticamente estável, em alta de 0,07%, cotado a R$ 5,41, enquanto a Bolsa brasileira recuou 0,59%, aos 141.791 pontos, diante do aumento da tensão política e fiscal.
A estabilidade da moeda americana contrasta com a queda do índice DXY no exterior, refletindo expectativas de cortes de juros nos Estados Unidos, mas no mercado doméstico predomina a cautela por riscos internos.
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Pressão política influencia câmbio e bolsa
A valorização leve do dólar no Brasil ocorreu em meio à percepção de maior incerteza política, especialmente com as críticas do governador Tarcísio de Freitas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a retomada do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Tal cenário levou investidores a buscarem proteção cambial e venderem ativos de risco, o que elevou os juros futuros e pressionou o Ibovespa, que cedeu terreno após ensaiar alta inicial.
O movimento refletiu ainda a queda das ações dos bancos, ligados à economia interna, em resposta à tensão institucional.
Segundo o analista Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, o questionamento das instituições por uma figura política importante aumenta a volatilidade e eleva o apelo por ativos considerados mais seguros, como dólar e juros.
Expectativa com indicadores e julgamento
O mercado se prepara para uma semana de indicadores relevantes, com destaque para os dados oficiais de inflação no Brasil (IPCA) e nos Estados Unidos (PPI e CPI).
Esses números serão essenciais para calibrar as apostas sobre o ritmo e a intensidade dos cortes de juros do Federal Reserve (Fed), previstos para iniciar em 17 de setembro.
Internamente, as projeções do Boletim Focus indicam estabilidade da inflação de 2025 em 4,85%, após 14 semanas de queda, e valorização do dólar para cerca de R$ 5,55 ao final do ano.
A agenda política, incluindo o julgamento de Bolsonaro no Supremo, permanece como fator de incerteza, com riscos de retaliações externas que afetam o apetite dos investidores.
Impactos no mercado argentino e global
No cenário internacional, a derrota do partido de Javier Milei nas eleições em Buenos Aires provocou forte desvalorização do peso argentino e queda expressiva das ações locais em Wall Street.
Isso também colaborou para o desempenho mais fraco das moedas emergentes, incluindo o real.
Além disso, a proposta do Brasil para uma moeda comum do BRICS visa reduzir a dependência do dólar no comércio entre os países do grupo, num movimento estratégico de desdolarização diante de um mercado internacional cada vez mais fragmentado.
Em suma, a cotação estável do dólar no Brasil esconde cenários complexos de tensão política e expectativa de alteração na política monetária americana, que deverão moldar os rumos dos mercados nacional e internacional nas próximas semanas.
Fontes
- Metrópoles
- InfoMoney
- Portal Mix Vale
- UOL Notícias
- UOL Economia
- Mercados - Broadcast+
- Banco Central
- Reuters

Leonardo Fernandes




