Dólar recua enquanto Selic e cenário global influenciam mercado financeiro
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Dólar recua enquanto Selic e cenário global influenciam mercado financeiro
6 jul 2026

O dólar encerrou a última semana em queda, cotado a R$ 5,16, acompanhando um cenário de expectativa por cortes na taxa Selic e um ambiente global marcado por um dólar mais fraco. O Ibovespa alcançou seu maior fechamento em um mês, acima dos 174 mil pontos, impulsionado por dados industriais nos Estados Unidos e pela melhora do apetite por ativos brasileiros.
Com os mercados norte-americanos fechados pelo feriado da Independência, a liquidez reduziu, mas a leitura fraca da produção industrial americana em maio quebrou expectativas de alta, reforçando as apostas em um corte de 0,25 ponto percentual da Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em agosto.
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Mercado brasileiro e câmbio
Segundo dados do IBGE, a produção industrial caiu 0,2% em maio, resultado inferior à projeção dos analistas. Esse dado reforça a ideia de desaceleração econômica no Brasil, elevando a possibilidade de flexibilização monetária pelo Banco Central.
Essa expectativa ajudou a reduzir os juros futuros, beneficiando principalmente ações de empresas sensíveis ao custo do crédito. O dólar comercial recuou 0,76%, acompanhando o fortalecimento do real e das moedas de países emergentes diante do dólar mais fraco no exterior, influenciado também pelos indicadores menos robustos do mercado de trabalho nos EUA.
Juros e inflação
No mercado de juros, as taxas futuras apresentaram recuo, refletindo a melhora das expectativas inflacionárias para os próximos anos e o contexto de queda do dólar. A taxa do DI para janeiro de 2027 oscilou para 13,985% e para janeiro de 2029 recuou para 14,03%, chegando a mínima intradiária. Essas movimentações indicam confiança do mercado para uma possível desaceleração da Selic.
O Boletim Focus indicou uma leve revisão para baixo da mediana do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2024, de 5,33% para 5,30%. As previsões para os anos seguintes mostraram estabilidade, com a Selic terminal prevista em 14% para 2026, diminuindo gradualmente até 10% em 2029.
China e desdolarização na África
Além das oscilações do dólar no Brasil, a China avança na criação de mecanismos financeiros que evitam a dependência do dólar na África. O Banco Central Chinês autorizou desde junho pagamentos em yuan no Standard Bank, maior banco do continente africano, facilitando o comércio bilateral e abrindo espaço para negociações em moedas locais e na própria moeda chinesa.
Apesar do crescimento médio anual de 14% no comércio China-África entre 2000 e 2024, o uso do yuan ainda é minoritário, representando cerca de 8,5% das transações globais. A desdolarização mundial segue gradual e sem pressa, principalmente devido à elevada reserva em dólar da China e à necessidade de preservar a competitividade cambial das exportações chinesas.
Especialistas destacam que a substituição do dólar pelo yuan não é imediata, e uma transição segura requer um processo lento para evitar impactos econômicos negativos. Uma proposta recente sugere a criação de uma nova moeda de reserva baseada numa cesta de moedas do Sul Global, incluindo países do Brics, para diversificar o sistema monetário internacional.
Essa mudança busca reduzir o poder econômico e político dos EUA, que usam a hegemonia do dólar para influenciar outras nações por meio de sanções financeiras, afetando especialmente economias emergentes.
Fontes: Agência Brasil, Estadão Conteúdo, IBGE, Boletim Focus e análises do mercado financeiro.
Fontes
- Diario Do Comercio
- Correio Do Povo
- Jornal Do Estado
- AE News - Broadcast+

Redação It's Money
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