Concentração de renda no Brasil cresce entre os mais ricos, mostra estudo do IRPF

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Concentração de renda no Brasil cresce entre os mais ricos, mostra estudo do IRPF

20 ago 2025Última atualização: 10 setembro 2025

Redação It's MoneyRedação It's Money

Entre 2017 e 2023, a participação da renda do 1% mais rico da população brasileira aumentou de 20,4% para 24,3%, segundo um estudo recente que analisou dados do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF).

Essa elevação indica uma intensificação da concentração de renda, especialmente após a pandemia.

O levantamento, que considerou as declarações de IRPF entre 2007 e 2024, mostra que os brasileiros no topo da pirâmide tiveram um crescimento mais acelerado em seus rendimentos comparado à base da população.

Em números absolutos, o grupo do 0,1% mais rico, formado por cerca de 160 mil pessoas com renda inicial mensal superior a R$ 150 mil, respondeu por 85% do aumento da participação na renda total do país. Já o 0,01% mais rico, composto por 16 mil pessoas com renda inicial mensal próxima a R$ 855,5 mil, capturou metade do avanço observado no grupo topo.

Relevância da renda de lucros e dividendos

Os pesquisadores Frederico Nascimento Dutra, Priscila Kaiser Monteiro e Sérgio Wulff Gobetti, autores do estudo "Concentração de renda no Brasil: o que os dados do IRPF revelam?", destacam que 90% da concentração nos estratos superiores deve-se ao recebimento de lucros e dividendos.

Esse fenômeno está diretamente relacionado à pejotização, que se refere à contratação de trabalhadores como pessoas jurídicas, e à maior distribuição de lucros pelas empresas.

Enquanto a renda proveniente de salários diminuiu, a proveniente de lucros e dividendos disparou, especialmente entre os mais ricos. A renda do 0,1% mais rico cresceu quase 50% em termos reais no período analisado, cinco vezes mais que a renda média dos brasileiros, que teve avanço de 1,4% acima da inflação.

Diferença entre dados da PNAD e IRPF

O estudo também aponta discrepâncias importantes entre os dados de renda estimados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE, e os resultados obtidos por meio do IRPF. Essas diferenças, ainda que menos expressivas até os 20% mais ricos, aumentam conforme se avança no topo da pirâmide.

Com exemplo claro, o grupo do 0,01% mais rico tem uma renda mensal estimada pela PNAD em pouco mais de R$ 200 mil, mas as declarações de IRPF indicam rendimentos médios mensais de R$ 2,5 milhões — mais de dez vezes superior.

Distribuição por estados e desafios para políticas públicas

O Mato Grosso é o estado brasileiro com maior concentração de renda no topo, onde o 1% mais rico detém cerca de um terço da renda estadual, seguido por São Paulo, Goiás e Paraná.

Em contraponto, unidades da federação do Norte e Nordeste apresentam menor concentração e crescimento mais lento no topo da renda.

Os autores do estudo alertam para a necessidade de repensar políticas públicas. Apesar da eficiência da transferência de renda na redução da pobreza e desigualdade na base da pirâmide, ela não é suficiente para combater a crescente concentração da renda no topo.

Recomenda-se uma revisão da política tributária, com foco em reduzir privilégios fiscais relacionados a lucros, dividendos, atividades rurais e títulos financeiros.

O estudo completo e um simulador para que cada cidadão possa saber sua posição na pirâmide de renda nacional estão disponíveis em fiscaldata.com.br/simulator.

As informações foram apresentadas pelos economistas no estudo “Concentração de renda no Brasil: o que os dados do IRPF revelam?”, com dados atualizados até 2023 e publicados recentemente.

Fonte:

  • Uol Economia
Redação It's Money

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