Dólar sobe após três quedas seguidas com aversão a risco por guerra no Oriente Médio
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Dólar sobe após três quedas seguidas com aversão a risco por guerra no Oriente Médio
23 jul 2026

O dólar encerrou em alta de 0,64%, cotado a R$ 5,0839 no câmbio à vista nesta quinta-feira, após três quedas consecutivas. O movimento foi impulsionado pela escalada da guerra no Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo Brent a mais de US$ 100 por barril. Esse cenário reforça preocupações inflacionárias globais e pressiona para a alta dos juros, reduzindo o apetite por risco e depreciando moedas emergentes, como o real.
O avanço do dólar também acompanha o fortalecimento do índice DXY, que mede a moeda americana contra outras seis moedas fortes, que subiu aproximadamente 0,30% no mesmo período. Em paralelo, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries) abriram em alta, refletindo a expectativa por taxas de juros elevadas, inclusive pelo Federal Reserve (Fed).
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dólar reflete tensão internacional e perspectiva de juros altos
A valorização do dólar está vinculada diretamente à incerteza gerada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã. A restrição no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz e o agravamento da tensão no Mar Vermelho afetam a oferta da commodity, que fechou a US$ 100,69, alta de 7,04% no dia. A alta do petróleo, apesar de beneficiar o Brasil como exportador, tem um efeito secundário sobre o câmbio devido ao risco inflacionário e política monetária mais apertada globalmente.
Analistas destacam que o mercado está mais sensível ao temor inflacionário provocado pela guerra do que à melhora dos termos de troca para o Brasil. A perspectiva de juros altos nos EUA estimula investidores a buscarem a segurança do mercado norte-americano, diminuindo o interesse em ativos de países emergentes.
expectativa para política monetária nos EUA e tarifas dos EUA sobre o Brasil
A ferramenta do CME Group mostra que a expectativa de aumento dos juros pelo Fed até setembro ultrapassou 80%, refletindo uma possibilidade crescente de aperto monetário. No entanto, para a reunião da próxima semana, a previsão principal é de manutenção das taxas, com 62,1% de chance estimada.
Comentários de Janet Yellen, ex-secretária do Tesouro dos EUA, indicam que o Fed está pronto para elevar os juros, enquanto Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, afirmou que os preços elevados de energia devem manter a inflação acima das metas até 2027.
Além disso, o governo dos EUA deve anunciar novas tarifas globais, incluindo uma taxa de 12,5% sobre importações brasileiras consideradas vinculadas a trabalho análogo à escravidão. Essa medida acrescenta um componente adicional de pressão sobre a economia e mercado cambial brasileiros.
cenário no mercado interno e impacto no real
Apesar da alta recente do dólar, o real tem atraído investimentos estrangeiros devido às taxas de juros relativamente altas oferecidas no país. Dados do Banco Central indicam fluxo cambial positivo de US$ 17,946 bilhões até julho de 2026, favorecido pela valorização do petróleo, que beneficia a balança comercial brasileira.
Por outro lado, a volatilidade no mercado acontece em meio ao avanço das tensões internacionais e à sinalização de política monetária global mais restritiva, fatores que tendem a manter o câmbio pressionado no curto prazo. A combinação desses elementos pressiona o real e limita quedas mais expressivas do dólar.
Em síntese, o dólar em alta reflete o ambiente de aversão a risco global devido ao conflito no Oriente Médio, aliado à expectativa por juros elevados e tarifas que impactam o Brasil. O cenário exige acompanhamento próximo das tensões políticas e econômicas internacionais, cujos efeitos têm repercussão direta no mercado cambial e na economia brasileira.
Fontes: Banco Central, CME Group, Reuters, Agência Brasil, Valor Econômico.
Fontes
- Correio Do Povo
- Metrópoles
- Tribuna Pr
- AE News - Broadcast+

Redação It's Money
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