Asset Allocation de agosto: insights para a diversificação da sua carteira

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Asset Allocation de agosto: insights para a diversificação da sua carteira

11 ago 2025Última atualização: 11 agosto 2025

Renan WürfelRenan Würfel
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O quadro de Asset Allocation, trazendo para tradução literal, é um consolidado das diferentes classes de alocação de ativos. Nesse caso, estamos analisando as principais classes utilizadas na construção de portfólios de pessoa física no mercado de capitais do Brasil.

Existem diversos formatos, em diferentes locais, que se montam dentro dessa mesma ideia.

Para começar, resumidamente, temos oito diferentes classes de ativos, apurados desde 2012, ano a ano, consolidando ainda o parcial de 2025 até o fim de julho. Além disso, há também um bloco que representa a média deles em cada ano.

Importante dizer: quando falamos da média, é apenas a soma de todas as classes dividida pela quantidade delas, sem colocar peso em nada.

Esse tipo de estudo ilustrado do mercado nos traz diferentes reflexões que ajudam a entender o poder da diversificação de carteiras para capturar eficiência em resultados no médio e longo prazo.

Antes de analisarmos o ano atual, vale destacar algumas reflexões básicas que esse quadro nos oferece, não sem antes citar o que é cada bloco colorido. Vamos lá:

  • IRF-M: índice de renda fixa do mercado, representa uma cesta de títulos prefixados na marcação a mercado.
  • Ibovespa: índice da nossa bolsa de valores.
  • IFIX: índice que representa o desempenho médio da cotação dos fundos imobiliários.
  • IMA-B: índice que representa uma cesta de títulos indexados ao IPCA (inflação), marcados a mercado.
  • S&P500: principal índice da bolsa de valores americana.
  • CDI: representa o retorno anual acumulado do investidor que tem um ativo a 100% do CDI, diretamente atrelado aos juros do Brasil definidos pelo Banco Central (a taxa Selic).
  • IHFA: vem do termo em inglês hedge funds, que no Brasil seria o equivalente aos fundos multimercados.
  • Dólar: variação cambial da moeda em relação ao real.

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Asset Allocation e CDI

No Brasil, o investidor tem o costume de comparar bastante seus investimentos com o CDI. Na teoria econômica, quando pensamos em investimentos de longo prazo, o principal indicador deveria ser a inflação, pois é onde garantimos a manutenção do poder de compra no longo prazo.

Mas, aqui, principalmente pelo histórico de hiperinflação, é comum usar a referência dos juros do país. E, de fato, geralmente é uma das melhores classes para se estar investido, mas gosto da reflexão entre 2017 e 2020 — uma janela interessante de quatro anos — sobre como o CDI foi uma das piores classes para se estar posicionado, considerando quantas outras oportunidades o brasileiro teve de rentabilizar melhor o seu patrimônio

Num passado mais recente, em 2023, o CDI acumulou 13,04% de retorno e foi a terceira pior classe para estar investido. No ano seguinte, o retorno do CDI foi de 10,88% — cerca de 20% a menos de retorno —, mas foi a terceira melhor classe para estar investido. Curioso, não?

De melhor a pior

Outra leitura interessante: em 2019, a melhor classe para estar investido no Brasil foi o IFIX, que representa os fundos imobiliários, com retorno de 35,98% no índice. Já no ano seguinte, foi a pior classe para estar posicionado, fechando com um resultado de -10,24%.

E no ano anterior? Em 2018, foi a segunda pior classe para estar, com alta de apenas 5,62%.

O S&P500 é outro exemplo disso: em 2021 foi a melhor classe para estar investido, em 2022 foi a pior, com queda de quase 20%, e em 2023 voltou a ser a melhor. E, se olharmos, há vários exemplos semelhantes.

Ações

No índice Ibovespa, que representa a performance das principais ações listadas em nossa bolsa, de 2012 a 2015, ano após ano, essa foi a pior classe para estar posicionado, acumulando uma perda de 24,32% em quatro anos. Muitos investidores devem ter passado por esses anos e, ao final de 2015, zeraram suas posições.

Pois bem, vejam os quatro anos seguintes: o índice Ibovespa acumulou 112,41% de retorno. Aqui, claramente, é possível perceber o poder do longo prazo para ativos com maior volatilidade — chamo de “prazo de convergência” para esse tipo de ativo.

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Média dos índices

O bloco do quadro onde se fala da média dos índices nada mais é do que somar cada uma das classes e dividir pela quantidade, sem colocar peso. É um indicador interessante para sentir a temperatura do retorno possível do mercado naquele período.

Mas, obviamente, quem busca uma modelagem mais apurada para seus investimentos vai procurar estudar ou recorrer a uma assessoria especializada para ajudar a montar a carteira com pesos nas diferentes classes, dependendo da leitura de mercado e dos movimentos de cada momento, tentando sempre antecipar os melhores ciclos e acertando mais do que errando.

Os anos de 2020 a 2022, em que a média de retorno ficou entre 7,40% e 6,37%, ficaram muito abaixo do que é esperado para investimentos em um país como o nosso, de altos juros históricos. Um bom exemplo na outra ponta é 2019, em que só a média foi quase 29% de retorno.

Imagine quem tinha uma carteira ativa bem posicionada para os melhores ativos do momento, quanto de retorno poderia capturar.

Asset Alocation - Agosto

Analisando o que temos para 2025 até o fechamento de julho, temos um ano de juros altos no Brasil: só o CDI, acumulado até aqui, já está na casa de 7,78%, mas está da metade para baixo das melhores alocações.

Surpreendentemente, os ativos de risco, como Ibovespa e IFIX, têm performado relativamente bem, dado todos os desafios do cenário macro, e o retorno da renda fixa prefixada vem capturando os melhores resultados até aqui, por consequência de um acomodamento das curvas longas de juros, que passaram por momentos de mais elevadas percepções de risco pelo mercado num passado recente.

O que fica desse quadro é a importância da diversificação de um portfólio bem estruturado dentro de um planejamento financeiro de longo prazo. As diferentes classes, com uma gestão ativa e assertiva, garantem as melhores performances.

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Renan Würfel

Renan Würfel

Economista formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Pós Graduado em Finanças e Planejamento pela Universidade Federal de Uberlândia. Sócio e assessor de investimentos na Blue3 Investimentos, XP.

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