Mercados em ritmo de fuga do risco

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Mercados em ritmo de fuga do risco

28 set 2022Última atualização: 20 junho 2024

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Macro

Hoje o dia começou com mercados ainda em sinal de alerta em meio às recentes quedas.

O cenário de maior aversão ao risco segue impulsionando o rali do dólar e pressionando demais moedas.

Os rendimentos dos títulos do tesouro americano ganham força também, enquanto ativos de maior risco passam por forte correção.

Brasil

No Brasil, a combinação da ata do Copom ao IPCA-15 às 9h trouxe perspectivas positivas no campo dos juros.

Os DIs cederam, em especial na barriga da curva precificando uma redução da taxa já em 2023.

A ata que trouxe um resumo das principais discussões e pontos levantados pelo comitê durante a reunião, mostrou um Banco Central mais otimistas que o consenso de mercado, no que diz respeito às projeções para os próximos anos.

O Boletim Focus da última semana, quando foi realizado o encontro, mostrava expectativa de inflação em 2022, 2023 e 2024 em 6,0%, 5,0% e 3,5%, respectivamente.

Já as projeções do Copom, mostravam inflação de 5,8%, 4,6% e 2,8%, para esses mesmos anos.

A divulgação foi tomada como dovish pelo mercado, em uma sinalização de que o Banco Central pode iniciar um movimento de abrandamento da política monetária mais cedo do que se pensava.

Para corroborar com esse cenário, o IPCA-15 divulgado ontem, se manteve no campo deflacionário e mostrou queda de preços maior que o esperado, trazendo ainda maior desaceleração de núcleos ligados a serviços.

Esse resultado voltou a trazer alívio para as pressões e receios instaurados com o ressurgimento de novo ciclo inflacionário.

As pressões externas ainda são o fator de risco e a desvalorização do real frente ao dólar, que continua ganhando força, é outro ponto de atenção.

Para hoje, a agenda, apesar de escassa, traz informações de empregos divulgadas pelo Caged às 9h30.

Estimativas apontam para geração de cerca de 270 mil novos cargos, indicando que o mercado de trabalho por aqui volta a ganhar tração.

Ainda hoje às 9h, deve ser divulgado o índice de preços ao produtor (PPI).

Resultado do leilão do Tesouro

LFT com vencimento em setembro de 2028: R$ 5,6 bilhões (62% da oferta –Taxa 0,1750%);

NTN-B com vencimento em maio de 2035: R$ 3,1 bilhões (100% da oferta –Taxa 5,8251%);

NTN-B com vencimento em agosto de 2060: R$ 610 milhões (100% da oferta –Taxa 5,8700%);

NTN-B com vencimento em maio de 2027: R$ 5,1 bilhões (100% da oferta –Taxa 5,7937%).

EUA

Nos EUA, o cenário de aperto monetário, e o risco crescente de recessão sendo precificado tem levado o dólar a patamares historicamente altos frente as demais moedas.

A Casa Branca informou que não deve agir em movimento para enfraquecer a moeda, enquanto bancos centrais do mundo buscam alternativa para lidar com a desvalorização de suas moedas.

O rendimento dos títulos do tesouro norte-americano volta a subir com o risco tomando conta dos mercados.

Os títulos com vencimento de 10 anos passaram de 4% pela primeira vez desde 2010, e tocaram o maior patamar desde 2008.

O cenário de aperto segue inalterado, e deve continuar a favorecer a moeda norte-americana.

E para trazer maior clareza às perspectivas futuras da economia nos EUA, apesar da agenda esvaziada em indicadores, o dia conta com discursos de Jerome Powell às 11h15, e mais quatro membros do FED, que devem falar sobre a situação do país e o horizonte de política monetária.

Mercado Interno

O Ibovespa encerrou o pregão de ontem em nova queda, a terceira consecutiva, registrando -0,68% no dia.

Os índices de ações no mundo seguem enfrentando uma onda de reprecificação promovida por estratégias de maior aversão ao risco.

A recente valorização do dólar mostra o sentido dos fluxos de capital para investimentos de menor risco, o que pressiona o mercado de ações, em especial de economias emergentes.

Outro ponto que ganha força e deve movimentar os mercados cada vez mais e inspirar maior cautela aos investidores são as eleições.

Conforme nos aproximamos cada fala e cada pesquisa coloca ainda mais volatilidade ao cenário que já inspira cuidados.

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Análise Técnica

O IBOV, analisando o gráfico diário, com a leve queda de ontem chegou em sua mínima ao perder os 108.220 pontos. Isso contribui para o aumento da expectativa negativa no curto prazo.

Entretanto o movimento de queda nos últimos três dias representou uma oscilação de -5,20% (no acumulado), considerando de sua máxima até a mínima.

Posto isso, deve-se tomar cuidado com operações na ponta vendedora, já que a probabilidade de o índice passar por uma correção aumenta.

Essa possível correção pode ser no tempo (movimento mais lateral) ou no preço (buscando a média móvel mais rápida).

O nível importante mais abaixo no Ibovespa, seria a região dos 103.110 pontos.

E pensando em uma retomada de expectativa positiva, é importante que o índice busque os 114.070 pontos.

Mercado Externo

Nos EUA, o índice S&P encerrou o dia de ontem em queda acumulando o sexto fechamento negativo consecutivo.

Com marcação de -0,21%, o índice segue em um movimento de queda acompanhando a escalada de juros por lá.

Investidores continuam precificando o risco de uma recessão nos EUA, o que, como já mencionamos, pressiona os ativos de risco.

Além disso, a desaceleração econômica que aparece no horizonte deve trazer impacto nos resultados de empresas, o que se reflete diretamente no preço.

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Análise Técnica

O S&P500, com a leve baixa apresentada ontem, segue com uma expectativa mais negativa no curto prazo.

Onde, esse movimento de baixa desde o dia 13 de setembro já representou uma queda acumulada de -12,63%.

Dessa forma, a expectativa para o índice segue mais negativa, em que a próxima região importante mais abaixo seria a faixa dos 3.495 pontos.

Entretanto buscar operações na ponta vendedora fica desfavorável do ponto de vista da relação Risco x Retorno.

Para a retomada de uma expectativa mais positiva, o primeiro sinal seria o índice buscar os 3.910 pontos fechando acima das médias móveis.

Commodities

O minério de ferro fechou a madrugada em Singapura em queda, com o cenário político chinês inspirando cuidados.

O Congresso do Partido Comunista se aproxima, e a expectativa é que os novos rumos da economia do gigante asiático sejam decididos nesse momento, com pacotes de auxílios e estímulos para os próximos cinco anos, quando acontece novo Congresso.

Com isso, o minério segue pressionado em meio às incertezas de força da demanda.

O petróleo opera em leve alta nessa manhã de quarta-feira.

A commodity segue apertada por um cenário de pressão sobre a oferta.

Ontem gasodutos e oleodutos foram danificados no leste europeu, em um movimento que muitos acreditam ter sido premeditado, o que coloca em risco a capacidade de abastecimento ao continente.

Por outro lado, o rali do dólar nos últimos dias afeta a demanda de petróleo, que é desacelerada com a alta da moeda

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Análise Técnica

O petróleo, apesar da leve alta apresentada ontem, continua com uma expectativa mais negativa.

Esse movimento pode indicar o início de uma possível correção no curto prazo.

Olhando para um prazo maior(gráfico mensal), o ativo testou um nível de preço importante nos USD 83,28/barril.

Ademais, nesse mês está com uma queda de -10,13%, o que contribui para o aumento da expectativa negativa.

Já que perdeu a região dos USD 91,03/barril e a média móvel.

O nível importante mais abaixo seria os USD 69,88/barril, e para o petróleo retomar uma expectativa mais positiva, é necessário que ele busque a região dos USD 93,85/barril.

Analistas responsáveis

Dalton Vieira – Analista CNPI-T

  • + 15 anos de experiência no mercado financeiro;
  • Analista de valores mobiliários CNPI-TEM 910;
  • Credenciado pela Apimec desde 2010;

    Desenvolvedor do método DV de investimentos.

Henrique Tavares – Analista CNPI

  • Analista CNPI EM-3176;
  • Credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia Aeronáutica pela Universidade Federal Uberlândia (UFU).

Leonardo Gibelli - Analista CNPI-T

  • Analista CNPI-T EM-3376 credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Disclaimer

De acordo com a Resolução CVM nº 20, de 25 de fevereiro de 2021, Art. 21º, declaro que as análises realizadas neste relatório refletem única e exclusivamente a opinião dos autores, e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

De acordo com o art. 21 da ICVM 598/18, caso o Analista esteja em situação que possa afetar a imparcialidade do relatório ou que configure ou possa configurar conflito de interesse, este fato deverá estar explicitado no campo “Conflitos de Interesse” deste relatório.

As informações, estimativas e projeções contidas neste relatório referem-se à data de publicação e estão sujeitas a mudanças, não implicando necessariamente na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal alteração.

As plataformas usadas para realização deste relatório são Bloomberg e Profit (Nelogica), além de portais de notícias nacionais e internacionais devidamente identificados quando utilizados.

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A DVinvest é a casa de análise fundada pelo renomado analista Dalton Vieira, que possui em sua equipe profissionais altamente especializados em análise fundamentalista e técnica de ações.

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