Pêndulo do mercado: como lucrar entre euforia e pânico
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Pêndulo do mercado: como lucrar entre euforia e pânico
20 ago 2025•Última atualização: 20 agosto 2025

O mercado raramente fica no meio-termo. Ele balança como um pêndulo do mercado, ora para a euforia, ora para o medo. Howard Marks ensina que reconhecer onde estamos nessa oscilação muda o jogo:
Ajuda a evitar compras caras no topo e incentiva a agir quando o pessimismo empurra bons ativos para baixo. Não é adivinhação. É ler comportamento humano, preço e risco com frieza.
Como funciona o pêndulo do mercado
O pêndulo do mercado descreve a oscilação constante do humor dos investidores e dos preços entre extremos. Na prática, ele vai da euforia à depressão, da celebração ao catastrofismo e da sobrevalorização à subvalorização.
O ponto de equilíbrio existe, mas é pouco frequentado. Por isso, exageros são a regra e não a exceção.
Para Marks, o próprio movimento para um extremo gera a energia que empurra o pêndulo do mercado de volta na direção oposta. Em bom português: excesso de otimismo cria as condições para a queda seguinte, e pânico exagerado prepara a próxima recuperação.
A lição mais dura é lembrar que ciclos não cessam. Árvores não crescem até o céu e quase nada vai a zero. Extrapolar o presente para sempre é veneno para a saúde do investidor.
Quando o pêndulo do mercado abre oportunidades
Os maiores retornos aparecem quando a maioria desistiu. Em 2008, a queda foi brutal; em 2009, quem manteve objetividade e disciplina viu algumas das melhores oportunidades de uma geração.
O padrão é recorrente: extremos de pessimismo antecedem períodos férteis para quem consegue agir com racionalidade.
Marks resume o roteiro humano: quando tudo vai bem e os preços estão altos, o investidor compra e ignora a prudência; quando o caos domina e as pechinchas aparecem, ele foge do risco. E sempre será assim. Reconhecer esse viés é meio caminho para melhorar decisões.
Há ainda a armadilha das quatro palavras mais perigosas do mercado: “desta vez é diferente”. Em altas longas, muitos passam a acreditar que regras mudaram e métricas não importam. É nessa fase que o pêndulo do mercado costuma punir o excesso de credulidade.
Para reforçar a leitura comportamental, vale lembrar a contribuição das finanças comportamentais. Daniel Kahneman e Dan Ariely mostraram como vieses nos empurram a decisões ruins.
Marks traduz isso para a prática do investidor: a primeira conclusão óbvia pode estar errada, sobretudo quando é consenso.
Disciplina para agir contra o pêndulo do mercado
Em muitos momentos, o eixo real do pêndulo é a postura diante do risco. Em bolhas, a aversão ao risco some e ninguém quer “perder a oportunidade”. Em crises, a aversão explode e ninguém quer comprar nem o óbvio barato.
Alternar entre o risco de perder dinheiro e o risco de perder oportunidades é parte do jogo; a arte é não deixar um deles dominar você.
Na prática, adote três hábitos simples. Primeiro, pergunte em que extremo estamos: ganância ou medo. Segundo, exija prêmio de risco nos topos e tolerância à incerteza nos vales.
Terceiro, mantenha liquidez para agir quando o pêndulo do mercado favorecer assimetria a seu favor.
História não se repete, mas rima. Lembre disso quando escutar novas narrativas chutando para longe as lições antigas. A frase atribuída a Mark Twain resume bem o espírito da obra de Marks e o antídoto contra modismos.
Conclusão
O pêndulo do mercado nunca para. Sua função como investidor é não ser arrastado pelos extremos. Quando o humor estiver na estratosfera, proteja-se. Quando o medo parecer eterno, investigue valor. Quer dar o próximo passo?
Monte um pequeno checklist do pêndulo do mercado e revise sua carteira com essa lente a cada trimestre.

Rodrigo Guerra Silva
Engenheiro mecânico por formação e profissional no mercado de investimentos desde 2019. Com a certificação CFP, dedico-me a ajudar pessoas a alcançarem seus objetivos financeiros por meio de estratégias bem fundamentadas e uma abordagem personalizada.
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