América Latina supera EUA em adoção de criptomoedas, diz relatório

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América Latina supera EUA em adoção de criptomoedas, diz relatório

3 mar 2026Última atualização: 3 março 2026

Leonardo CavalcantiLeonardo Cavalcanti

Enquanto o mercado global de criptomoedas enfrenta volatilidade com conflitos entre EUA e Irã e tensões geopolíticas no Oriente Médio, a América Latina emerge como um pólo de crescimento acelerado do setor.

De acordo com o relatório anual "Estado da Indústria Crypto 2025", lançado hoje pela Lemon, a região registra um aumento três vezes mais rápido que os Estados Unidos em usuários ativos de criptoativos.

O Brasil, em particular, triplicou o volume de cripto recebido em 2025, representando cerca de um terço de toda a atividade na América Latina, impulsionado por fatores como inflação persistente, remessas internacionais e a busca por alternativas financeiras acessíveis.

O estudo, baseado em dados da Chainalysis e outras fontes como CoinMarketCap e Google Trends, destaca como a adoção cripto na LATAM saltou de 12% para 18% da população adulta ativa em 2025, superando os 14% nos EUA.

"A América Latina não está apenas seguindo tendências globais; ela as está liderando em termos de inovação e inclusão financeira", afirma Marcelo Cavazzoli, fundador e CEO da Lemon, em declaração ao portal.

O relatório aponta que o volume total de transações cripto na região atingiu US$ 562 bilhões em 2025, um crescimento de 40% em relação a 2024, contra apenas 13% nos EUA.

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Brasil na vanguarda: triplicação de volume e fatores econômicos

No Brasil, o destaque é o triplo aumento no volume de cripto recebido, impulsionado por exchanges locais e aplicativos de carteira digital. Segundo o relatório, o país captou US$ 187 bilhões em criptoativos em 2025, equivalente a um terço do total regional.

Esse crescimento reflete a maturidade regulatória: desde fevereiro de 2026, as prestadoras de serviços de ativos virtuais (VASPs) operam sob autorização do Banco Central, com exigências de capital mínimo e compliance cambial, conforme as Resoluções BCB 519 a 704.

Além disso, a proposta de IOF de 3,5% sobre compras acima de R$ 10 mil, ainda em consulta pública, visa equiparar cripto a operações de câmbio, mas isenta pequenos investidores.

Fatores econômicos locais explicam o boom. Com inflação anual em 4,2% (dados do IBGE para 2025) e o real desvalorizado em 15% frente ao dólar, os brasileiros recorrem a stablecoins como USDT e USDC para hedge contra volatilidade cambial.

Remessas internacionais também crescem: o Brasil recebeu US$ 5,2 bilhões em remessas via cripto em 2025, um salto de 120% em relação a 2024, facilitadas por plataformas que convertem instantaneamente para reais via PIX. "O cripto não é mais especulação; é ferramenta cotidiana para proteção patrimonial", comenta Cavazzoli.

O relatório compara com 2022–2023, quando o "inverno cripto" derrubou volumes na LATAM em 60%. Hoje, a recuperação é sustentada por infraestrutura: 65% das transações regionais ocorrem em wallets móveis, contra 45% nos EUA.

No Brasil, a adoção entre jovens de 18–35 anos atinge 28%, impulsionada por cashback em BTC e integrações com pagamentos diários.

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Aplicativos lideram a adoção: Lemon, Ripio e Bitso no topo

A Lemon se destaca como uma das líderes na adoção varejista. Fundada em 2019 na Argentina, a empresa registra crescimento por 10 trimestres consecutivos, com mais de 5,5 milhões de usuários na região e 1,3 milhão de usuários ativos mensais.

No Brasil, onde opera desde 2024, a Lemon reforça posição com serviços como compra de cripto via PIX, cashback em Bitcoin para compras com cartão Visa internacional e conversão de remessas estrangeiras. "Nossa carteira dual permite poupar em pesos ou dólares digitais enquanto ganha em BTC", explica Cavazzoli.

Outros players citados incluem Ripio (Argentina) e Bitso (México), que juntos captam 40% do volume varejista na LATAM. A Ripio, com 8 milhões de usuários, foca em educação financeira; a Bitso, em remessas cross-border.

O relatório enfatiza que esses aplicativos lideram porque integram cripto ao dia a dia: 70% dos usuários na região usam stablecoins para pagamentos ou poupança, contra 55% nos EUA.

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Regulação e Desafios: Caminho para Maturidade

O crescimento não é sem obstáculos. Regulações variam: Brasil e Argentina avançam com marcos legais (Lei 14.478/2022 no Brasil; DNU cripto na Argentina), mas México e Colômbia ainda enfrentam atrasos.

O relatório alerta para riscos como volatilidade (BTC caiu 48% do pico em 2025) e fraudes, com rug pulls somando US$ 1,2 bilhão na LATAM em 2025. No entanto, a integração institucional. Como ETFs de BTC na B3 e parcerias com bancos tradicionais — mitiga esses riscos.

Globalmente, a LATAM supera os EUA graças à necessidade econômica: alta inflação (média de 8% na região) e acesso limitado a bancos (40% da população unbanked). "Cripto democratiza finanças onde o sistema tradicional falha", diz o relatório, citando Chainalysis: LATAM tem 9% do volume global de cripto, mas cresce 3x mais rápido que a média.

Perspectivas para 2026: crescimento sustentável

Para 2026, a Lemon projeta expansão: com captação de US$ 66 milhões (liderada por Kingsway Capital e outros), a empresa planeja dobrar usuários no Brasil via integrações com e-commerce e pagamentos QR.

O relatório prevê que a adoção atinja 25% da população adulta na LATAM, impulsionada por stablecoins reguladas e DeFi acessível.

Analistas como Paulo Aragão veem otimismo cauteloso: “Com macro defensivo e tensões globais, cripto na LATAM serve como hedge, mas volatilidade persiste.” Para investidores, o conselho é educação: comece com stablecoins e declare tudo no IR para evitar multas.

O "Estado da Indústria Crypto 2025" da Lemon reforça: a LATAM não segue; lidera a revolução cripto, com o Brasil no epicentro.

Leonardo Cavalcanti

Leonardo Cavalcanti

Jornalista especializado em criptoativos, macroeconomia e finanças digitais. Com passagem por veículos como Money Times e BlockTrends, atua na produção de conteúdo analítico e notícias para portais nacionais e internacionais. É MBA em Mercado Financeiro e de Capitais pela FAAP/Empiricus, com formação em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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