Banco Central negocia acesso antecipado a modelos de IA para proteger sistema financeiro
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Banco Central negocia acesso antecipado a modelos de IA para proteger sistema financeiro
24 ago 2026

O Banco Central do Brasil está em negociação com empresas de tecnologia e instituições financeiras para obter acesso antecipado a modelos de inteligência artificial (IA) que ainda se encontram em fase de pesquisa e desenvolvimento. O objetivo é antecipar os riscos que essas tecnologias podem representar e preparar o sistema financeiro nacional para enfrentá-los, similar ao que ocorre no mercado norte-americano.
Caio Moreira Fernandes, chefe do Departamento de Tecnologia da Informação do Banco Central (Deinf), informou durante a Febraban Tech 2026, em São Paulo, que o trabalho no Brasil ainda está em construção, com desafios especialmente relacionados à formalização dos acordos com os setores produtivo e financeiro.
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Riscos e referências internacionais
Fernandes destacou o Project Glasswing, uma iniciativa da empresa Anthropic que disponibiliza acesso prévio a um modelo avançado de IA chamado Mythos para empresas de tecnologia e cibersegurança. O projeto, lançado em abril, contempla nomes como Microsoft, Amazon, Google e o banco JPMorgan, e tem o propósito de identificar vulnerabilidades antes que essas capacidades se tornem amplamente acessíveis.
Entre os principais riscos avaliados pelo Banco Central estão as ameaças à criptografia devido à computação quântica, que pode permitir futuramente a decodificação de dados atualmente capturados, e a utilização da IA para identificar vulnerabilidades e ampliar ataques massivos. Contudo, a defesa também apresenta evolução, principalmente na detecção de anomalias e capacidade de resposta a incidentes.
Preparação do setor financeiro brasileiro
Especialistas participantes da mesa sobre segurança do sistema financeiro na era da IA reforçaram que o acesso antecipado a tecnologias de ponta é fundamental para prevenção contra ataques. Alessandro Faria, cofundador da Multicortex, alertou que o risco associado à ameaça quântica deve se concretizar até 2032, e que sistemas legados podem enfrentar dificuldades para atualização.
Kelly Nascimento, diretora de dados e análise da NTT Data Brasil, enfatizou a importância da prevenção estratégica, ressaltando que a computação quântica potencializa a capacidade dos criminosos de processar dados vazados que ainda não foram utilizados por limitações computacionais anteriores.
José Pela Neto, sócio-líder de cibersegurança da Deloitte, observou que muitas empresas operam com sistemas de segurança fragmentados, o que dificulta verificar a eficácia da proteção integrada. Segundo ele, há um desconforto evidente entre profissionais da área sobre o real nível de segurança alcançado.
Alexandre Tim Vieira, gerente-executivo em segurança cibernética do Banrisul, afirmou que o setor tem evoluído para uma proteção orientada a contexto, com múltiplas camadas de segurança em pontos de contato, desde aplicativos até credenciais de funcionários, buscando uma infraestrutura capaz de analisar alertas dentro de seus contextos.
Até a publicação desta matéria, o Banco Central não havia fornecido mais detalhes sobre o andamento das negociações e projetos relacionados à IA.
Fonte:
- Valor Invest

Redação It's Money
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