Temporada de resultados: os destaques do terceiro trimestre de 2023
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Temporada de resultados: os destaques do terceiro trimestre de 2023
24 nov 2023•Última atualização: 20 junho 2024

A temporada de resultados do terceiro trimestre de 2023 (3T23) teve fim no dia 15 de novembro de 2023. Os próximos dados, referentes ao quarto trimestre, devem ser divulgados somente no final de janeiro de 2024. Dessa forma, teremos um período de dois meses para digerir os resultados atuais, analisar os destaques do terceiro trimestre de 2023 e nos preparar para os números que virão.
Destaques do terceiro trimestre de 2023
Sobre os resultados divulgados, apesar de variações específicas entre as empresas e os segmentos, tivemos uma tendência positivas nos números. Como resultado, tivemos um mês com o Ibovespa e o Índice de Small Caps subindo mais de 10% até o momento, atingindo um patamar próximo ao topo histórico.
A seguir listo os destaques do terceiro trimestre de 2023 dos principais setores.
Commodities
Após fortes resultados nos últimos anos, os preços das commodities estão se normalizando e voltando ao patamar pré-Covid.
No petróleo, tivemos um trimestre mais forte, com o preço do Brent passando de US$ 73 em julho para mais de US$ 90 no final de setembro, o que ajudou bastante na receita, mas especialmente em margens de lucro mais altas. Por outro lado, o Brent já começou a cair no quarto trimestre, mesmo com a guerra no Oriente Médio, estando em US$ 81 no momento.
Quando falamos de aço e minério, os preços dos produtos ficaram relativamente estáveis em relação ao segundo trimestre, o que fez os resultados também não apresentarem muitas surpresas, por outro lado, com um movimento de alta se acelerando nas commodities a partir do meio de outubro, as ações dos segmentos ficaram entre as que mais subiram no mês.
Na celulose e nos frigoríficos tivemos uma manutenção do que já estava sendo entregue, com destaque para o segundo, que está apresentando um bom ponto de inflexão nos resultados e deve ter números cada vez melhores no futuro.
O destaque negativo ficou para o setor de químicos, representado por Braskem (BRKM5) e Unipar (UNIP6). Enquanto os custos do setor aumentaram de forma relevante devido a um petróleo mais caro, o preço dos químicos apresentou leve redução, ou seja, a margem de lucro do segmento ficou bem apertada, com as empresas apresentando números bem piores do que nos anos anteriores.
Construção civil
A construção civil apresenta dois lados bem diferentes, no primeiro temos as empresas que operam em segmentos de baixo padrão, em especial com obras para o Minha Casa Minha Vida (MCMV), que tiveram números excelentes e demanda bastante aquecida. Por outro lado, as construtoras de médio e alto padrão seguem com problemas para apresentar bons números, que só devem reverter com uma queda mais acentuada na Selic, dessa forma, os resultados ainda ficaram abaixo do potencial das empresas.
No MCMV, as empresas de forma geral melhoraram sua VSO (vendas sobre oferta) e tiveram um padrão de resultados muito parecido com o que já estavam entregando, acima da média histórica. Por outro lado, as empresas de médio e alto padrão ainda não apresentaram um ponto de inflexão nos resultados, algo que deve ocorrer somente a partir de 2024.
Um setor que está totalmente correlacionado com a construção civil são os acabamentos, fornecendo porcelanatos ou cerâmicas para os imóveis. Esse segmento ainda está apresentando resultados mais fracos, em linha com o que está sendo visto na construção de alto padrão. Por outro lado, fica cada vez mais a impressão de que estamos próximos a um ponto de inflexão, com destaque especial para a Portobello (PTBL3), que já começou a apresentar resultados melhores.
Varejo
Talvez seja o setor mais distinto por englobar desde o varejo alimentar até a venda de roupas. Dessa forma, a dinâmica de cada setor será bem diferente.
Quando falamos do varejo alimentar, o setor segue apresentando crescimento mais baixo devido à deflação nos alimentos. Por outro lado, as empresas passaram por um forte período de crescimento e agora estão maturando seus investimentos, o que está melhorando aos poucos as rentabilidades das operações.
No segmento de moda, os dados foram bastante diversos, com algumas empresas reportando número acima do consenso. Como foi o caso de C&A (CEAB3) e outras vindo um pouco mais fracas, como o Grupo Soma (SOMA3. No geral, as empresas ainda estão mal quando comparadas aos anos anteriores, mas já sinalizando um processo de recuperação importante.
Para as varejistas de eletrônicos e eletrodomésticos tivemos diversos problemas. A demanda mais baixa do setor privado, somado ao atraso de diversas licitações, fizeram com que os números fossem bem fracos. Além de serem empresas mais endividadas, um problema grave dado o patamar da Selic atual.
Indústria
Entre os destaques do terceiro trimestre de 2023 está a indústria. Assim como foi visto nos últimos trimestres, as vendas nacionais estão perdendo bastante força. Por outro lado, as vendas para o mercado externo estão bastante aquecidas e sustentaram a rentabilidade dessas empresas que atuam na nossa bolsa.
Bancos
O segundo trimestre tinha sido bastante importante, com a maior parte dos bancos sinalizando um processo de inflexão na inadimplência. Esse movimento continuou no trimestre atual, dando ainda mais força para a tese de reversão do momento ruim que os bancos passaram. O destaque ficou para os bancos que estavam com números piores, como o Bradesco (BBDC4) e o Santander (SANB11). Enquanto bancos como o Itaú (ITUB4) ou o Banco do Brasil (BBAS3) já estavam bons e ficaram ainda melhores. Dessa forma, é um setor que deve apresentar bons resultados para 2024.
Utilities (energia e saneamento)
Com a redução na inflação, as empresas do segmento de utilities tiveram um crescimento de receita menor. Portanto, são destaques do terceiro trimestre de 2023. Já que boa parte dos aumentos de tarifa tem indexação pelo ao IPCA.
Por outro lado, com o nível das chuvas normalizando, o preço da energia pode subir. O que ajuda as geradoras, em especial as térmicas, mas prejudica as distribuidoras e as empresas de saneamento, que possuem um custo alto com energia.

Renato Reis
Formado em Ciências Econômicas pelo Ibmec BH. Analista de valores mobiliários (CNPI-P EM-3580) credenciado pela Apimec. Analista fundamentalista na casa de análise Blue3 Research.
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