Dólar cai frente ao real em meio à alta do petróleo e tensões geopolíticas
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Dólar cai frente ao real em meio à alta do petróleo e tensões geopolíticas
1 jun 2026

O dólar fechou em baixa de 0,40% frente ao real no primeiro pregão de junho, cotado a R$ 5,0227. O movimento ocorreu mesmo diante da valorização global da moeda americana, reforçada pelas tensões no Oriente Médio e pela percepção crescente de risco geopolítico. No ano, a moeda americana acumula perda de 8,50% em relação ao real.
O cenário tensionado foi puxado pelo anúncio do Irã sobre a suspensão das negociações com os Estados Unidos, em resposta aos ataques israelenses contra bases do grupo Hezbollah no Líbano. Autoridades iranianas recomendaram a evacuação de áreas no norte de Israel e assentamentos militares próximos, elevando a percepção de risco regional.
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Dólar e petróleo: relação e impacto no câmbio
A escalada desses conflitos impulsionou os preços do petróleo, com o contrato Brent para agosto alcançando US$ 94,98 o barril ao encerrar o pregão, alta de 4,24% no dia. O aumento dos preços da commodity foi determinante para a valorização do real, uma vez que o Brasil é um exportador líquido de petróleo. Isso amortecEu parte da pressão da moeda norte-americana no câmbio local.
Alexandre Viotto, head de banking da EQI Investimentos, destaca dois vetores presentes na formação da taxa de câmbio diante de tensões geopolíticas: o aumento da aversão ao risco, que desfavorece moedas emergentes, e a elevação do preço do petróleo, que favorece o real. Na segunda metade do pregão, o dólar chegou às mínimas diante da combinação de alívio parcial nas tensões e preços sustentados da commodity.
Expectativas para juros e fluxo externo
Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, afirmou que a piora nas projeções de inflação no Boletim Focus fortalece a expectativa de manutenção dos juros elevados no Brasil, o que atrai capital externo e beneficia a moeda local. O real, portanto, apresenta resistência frente à valorização global do dólar.
Por outro lado, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar contra uma cesta de seis moedas fortes, manteve alta moderada ao redor de 99,200 pontos, refletindo o cenário internacional. A semana traz expectativa para a divulgação do relatório de emprego nos EUA, que poderá influenciar o posicionamento do Federal Reserve em relação à política monetária.
Para Viotto, a manutenção do petróleo acima de US$ 90 diante do conflito no Oriente Médio pode incentivar o Fed a adotar discurso mais duro, aumentando juros e pressionando moedas emergentes. Apesar disso, o real ainda conta com apoio dos termos de troca e dos juros locais elevados, o que deve manter o dólar próximo de R$ 5,00, com possibilidade de atingir R$ 5,20.
Na cena política local, as questões envolvendo candidaturas perdendo força já foram absorvidas pelo mercado, não impactando mais significativamente o câmbio.
Fontes
- Correio Do Povo
- UOL
- ac24horas
- O DIA
- AE News - Broadcast+

Redação It's Money
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