Dólar sobe com tensão no Oriente Médio e tarifas nos EUA ampliam aversão ao risco
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Dólar sobe com tensão no Oriente Médio e tarifas nos EUA ampliam aversão ao risco
4 jun 2026

O dólar fechou em forte alta acima de 1% frente ao real na quarta-feira, influenciado pela escalada das tensões no Oriente Médio e pela imposição de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A moeda americana atingiu o patamar de R$ 5,06, o maior fechamento desde abril, refletindo uma combinação de aversão global ao risco e preocupações inflacionárias.
Essas movimentações se deram em meio a ataques mútuos entre Estados Unidos e Irã, com o disparo de míssil por parte americana e resposta iraniana. Esse recrudescimento ampliou o temor de desestabilização na região, causando alta nos preços do petróleo e fomentando expectativas de aperto monetário nos EUA. O contrato de petróleo Brent para agosto, referência para a Petrobras, fechou em alta de 1,89%, a US$ 97,81 o barril.
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Dólar e mercado brasileiro
O real foi a moeda de pior desempenho entre os emergentes, afetado também pela divulgação de uma possível tarifa adicional de 12,5% contra produtos brasileiros, focada em irregularidades trabalhistas. Essa medida somou-se à recomendação prévia de sobretaxa de 25% sobre exportações nacionais, provocando impacto imediato nos mercados locais.
O Ibovespa encerrou em queda de 2,26%, pressionado pela fuga de investidores estrangeiros e o recuo das commodities, como minério de ferro. Ao mesmo tempo, a curva de juros locais avançou, reforçando a expectativa de manutenção da taxa Selic em patamares elevados para controlar a inflação, sobretudo diante do desempenho inesperadamente forte da produção industrial em abril.
Influências globais e expectativas futuras
No cenário internacional, o índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de moedas fortes, teve alta superior a 0,30%, chegando a 99,5 pontos. Dados recentes do mercado de trabalho americano mostraram resiliência, com pedidos de auxílio-desemprego acima do esperado e custo unitário de mão de obra moderado, sustentando a ideia de que o Federal Reserve poderá aumentar as taxas de juros.
Analistas destacam que a combinação de persistência inflacionária ligada ao conflito no Oriente Médio e tarifas protecionistas dos EUA cria ambiente de cautela e influência direta sobre o mercado cambial e de capitais no Brasil. O fluxo cambial positivo de US$ 743 milhões em maio, divulgado pelo Banco Central, ainda não foi suficiente para conter a valorização da moeda norte-americana.
Perspectivas para o câmbio
A avaliação dos especialistas indica que o dólar pode continuar pressionado no curto prazo, refletindo o cenário internacional adverso e os riscos domésticos fiscais e políticos à medida que as eleições se aproximam. A aversão ao risco, combinada com a elevação dos preços globais de energia, reforça o movimento de busca por ativos considerados mais seguros, beneficiando a moeda americana.
Outro ponto relevante é a dinâmica do carry trade, que tende a enfraquecer com a expectativa de aumento das taxas nos EUA, ainda que a Selic permaneça elevada no Brasil. Esse fator contribui para reduzir a atratividade cambial e estimular maior volatilidade.
Em contraponto, houve melhora no quadro do Oriente Médio na quinta-feira, com anúncio de um cessar-fogo entre Israel e o Líbano, o que aliviou a pressão na moeda e provocou uma leve queda do dólar ante moedas como o iene japonês. O dólar recuou 0,12% no índice DXY, para 99,413 pontos, acompanhando também dados econômicos norte-americanos que mostraram aumento nos pedidos de auxílio-desemprego e menor avanço do custo unitário de mão de obra, fatores que reforçaram a cautela sobre política monetária futura.
Assim, o mercado cambial segue sob influência de múltiplos fatores que podem alterar a trajetória do dólar frente ao real nas próximas sessões, ressaltando a importância de monitoramento constante dos indicadores globais e das decisões políticas comerciais entre os Estados Unidos e o Brasil.
Fontes: Agência Estadão, Reuters, IBGE, Banco Central do Brasil.
Fontes
- Diario Do Comercio
- Metrópoles
- Brasil 247
- AE News - Broadcast+

Redação It's Money
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