Mercado prevê corte na Selic em agosto após desaceleração da inflação
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Mercado prevê corte na Selic em agosto após desaceleração da inflação
25 jun 2026

O mercado financeiro sinalizou mudança na expectativa para a taxa Selic, projetando agora um corte de 0,25 ponto percentual na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em agosto. O movimento ocorre após os dados do IPCA-15 de junho indicarem desaceleração da inflação, contrariando as previsões anteriores e ampliando o cenário para redução dos juros.
A prévia da inflação oficial, divulgada pelo IBGE, registrou alta de 0,41% em junho, abaixo da mediana da projeção de 0,44% das instituições financeiras consultadas pelo Valor Data. Em maio, o índice havia subido 0,62%. No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 ficou em 4,80%, ligeiramente superior aos 4,64% observados nos 12 meses anteriores, ainda acima do teto da meta de 4,5% estabelecido pelo Banco Central.
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Expectativas do mercado e posição dos contratos de Copom
Antes da divulgação do IPCA-15, 39% dos contratos negociados na B3 estimavam corte na Selic em agosto, contra 58% que previam manutenção. Após a divulgação, houve reversão no posicionamento, com 55% das apostas apontando para redução e 40% para manutenção da taxa. Essas informações foram obtidas pelo Valor Data a partir dos contratos de opção relacionados ao Copom.
Para a reunião subsequente, em setembro, o consenso volta a indicar maior chance de manutenção da taxa em 14,25% ao ano, com 60% das apostas nesse cenário. Já 27% dos contratos projetam novo corte de 0,25 ponto percentual. Este movimento reflete a avaliação mais cautelosa diante do índice de inflação ainda acima da meta.
Contexto econômico e análise técnica
O economista Luiz Otávio Leal, da G5 Partners, avalia que a desaceleração da inflação não caracteriza uma estabilização definitiva, especialmente pela proximidade do fenômeno climático El Niño, que pode influenciar negativamente os preços dos alimentos e pressionar o índice para cima.
Apesar disso, os mercados reagiram positivamente à surpresa dos números do IPCA-15, reativando expectativas para um ciclo de redução da Selic, pelo menos no curto prazo. A G5 Partners, contudo, mantém perspectiva de estabilidade dos juros em 14,25% no encontro do Copom de agosto, prevendo cortes apenas a partir de dezembro, com a taxa finalizando 2026 próxima a 14%.
O posicionamento do Banco Central permanece condicionado à evolução dos índices de preços e aos impactos dos recentes eventos internacionais, como o fim da guerra no Oriente Médio, ainda pouco refletidos nas estatísticas oficiais.
Este cenário deve ser acompanhado atentamente pelos investidores e agentes econômicos, dada a importância da taxa Selic no custo do crédito e nos retornos dos diferentes instrumentos financeiros disponíveis no mercado brasileiro.
Fonte:
- Valor Invest

Redação It's Money
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