Tesouro Direto: prefixados ampliam vantagem com alta nas taxas
mercado
Tesouro Direto: prefixados ampliam vantagem com alta nas taxas
13 ago 2026

As taxas dos títulos do Tesouro Direto apresentaram alta nesta quinta-feira (13), com destaque para os títulos prefixados. Esse movimento ocorre em um cenário marcado por uma agenda econômica movimentada tanto no Brasil quanto no exterior.
Os títulos prefixados, que possuem rendimento fixo definido no momento da compra, têm registrado aumentos consistentes nos últimos cinco dias úteis. Com isso, ampliaram a distância frente aos títulos atrelados ao IPCA+, elevando o conceito de inflação implícita embutida nos papéis.
Receba Informações do Mercado Financeiro em Tempo Real. Entre para nossa Comunidade no Whatsapp!!!
Atividade econômica e influência internacional
No Brasil, dados recentes da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE, indicam que o volume de vendas no varejo restrito teve alta de 0,5% em junho na comparação com maio. O resultado superou a mediana das projeções, que apontava 0,3%, e o intervalo das estimativas, que variava entre uma queda de 0,7% a alta de 1,2%. O dado de maio também foi revisado de crescimento de 0,1% para 0,3%. Uma atividade econômica mais aquecida sustenta expectativas de manutenção de juros elevados por períodos prolongados, pressionando as taxas dos títulos públicos.
Fora do país, a presidente da distrital de Cleveland do FED, Beth Hammack, reforçou a necessidade de elevar juros para retomar a inflação à meta de 2%. Ela ressaltou que o mercado de trabalho americano se mantém estável e próximo ao pleno emprego, mesmo com a inflação persistindo acima do objetivo há mais de cinco anos.
Inflação implícita e perspectiva para os títulos públicos
Os dados recentes do índice de preços ao produtor (PPI) dos EUA mostraram resultados mais fracos que o esperado, com estabilidade em julho frente a junho e crescimento anual de 4,7%, abaixo da expectativa de 5,5%. O núcleo do PPI avançou 0,2% no mês, abaixo da previsão de 0,3%. Essa desaceleração na inflação americana contribuiu para conter a alta das taxas por lá.
Com isso, as taxas dos títulos prefixados no Brasil sobem em ritmo superior às dos títulos IPCA+. A diferença crescente entre os dois tipos de títulos representa a inflação implícita, ou seja, o índice de preços que faria com que os rendimentos dos títulos prefixados equivalham aos dos atrelados ao IPCA+.
Inflação implícita no Tesouro Prefixado 2032
Nos títulos com vencimento em 2032, a inflação implícita está em torno de 6% ao ano. Isso significa que, caso o IPCA anual médio seja inferior a esse patamar nos próximos seis anos, o rendimento do prefixado será superior. Caso o IPCA avance acima desse índice, os títulos atrelados ao IPCA+ terão melhor desempenho.
Essa incerteza torna esses papéis mais arriscados que o Tesouro Selic, cujo rendimento depende diretamente das decisões do Banco Central. Recentemente, com a manutenção da taxa Selic, o rendimento do Tesouro Selic sofreu impacto.
Perspectivas estratégicas para investidores
O analista de renda fixa da EQI Research, João Abdouni, destaca o Tesouro Prefixado com vencimento em janeiro de 2029 como alternativa para diversificação em carteiras com alta exposição ao CDI. Segundo cálculos da EQI, se a Selic cair mais rapidamente do que o mercado espera, esse título pode render cerca de 112% do CDI até o vencimento. Porém, essa estratégia envolve o risco caso a trajetória dos juros seja oposta.
Fonte:
- Valor Invest

Redação It's Money
A redação do portal It’s Money é formada por um time de profissionais com ampla experiência editorial, com acompanhamento e revisão de jornalistas especializados.
Saber mais



