A conta que não fecha: o futuro da Previdência Social

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A conta que não fecha: o futuro da Previdência Social

19 mai 2025Última atualização: 19 maio 2025

Helen VogtHelen Vogt

Enquanto a expectativa de vida dos brasileiros aumenta e a taxa de natalidade segue em queda, o modelo previdenciário brasileiro se depara com uma equação cada vez mais difícil de equilibrar.

Baseado no sistema de repartição simples, onde os trabalhadores da ativa financiam os benefícios de quem já se aposentou, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) começa a dar sinais de esgotamento.

Segundo dados do Ministério da Previdência, o Brasil tem hoje cerca de 60,7 milhões de contribuintes ativos no Regime Geral de Previdência Social (RGPS).

Em contrapartida, o INSS paga mensalmente mais de 34 milhões de benefícios, dos quais 23,2 milhões são aposentadorias. Isso significa que, atualmente, existem aproximadamente 2,6 contribuintes para cada beneficiário. Uma proporção que, preocupa e está em trajetória acelerada de deterioração.

Cenário em descompasso

Estudos recentes apontam que, se nada for feito, em menos de três décadas, o número de beneficiários ultrapassará o de contribuintes. A previsão é que em 2051 o sistema já registre mais aposentados e pensionistas do que trabalhadores financiando esses pagamentos. Até 2070, o cenário se torna ainda mais preocupante: a estimativa é que haverá apenas 1,3 contribuinte para cada beneficiário.

Esse descompasso é resultado direto das mudanças demográficas. De acordo com o Censo de 2022, a parcela da população com mais de 65 anos aumentou de 7,4% em 2010 para 10,9%.

Com a tendência de longevidade crescente e famílias cada vez menores, o modelo atual parece cada vez mais inadequado para sustentar as futuras gerações de aposentados.

Outro fator que agrava essa equação é o alto índice de informalidade no mercado de trabalho. Milhões de brasileiros atuam sem registro em carteira, o que significa que não contribuem para o INSS. Isso reduz ainda mais a base de arrecadação, concentrando o ônus em um grupo cada vez menor de contribuintes formais.

Futuro da aposentadoria pelo INSS

Diante desse cenário, a pergunta é inevitável: quem vai pagar a nossa aposentadoria?

Especialistas alertam que a conta não vai fechar se o país não repensar urgentemente sua política previdenciária.

Reformas estruturais, incentivo à formalização do trabalho, mudanças no cálculo de benefícios e a criação de estímulos para previdência complementar são algumas das alternativas em discussão.

Enquanto isso, cresce entre os brasileiros a percepção de que a construção de um patrimônio previdenciário individual, por meio de planos privados, pode deixar de ser uma opção e se tornar uma necessidade.

Helen Vogt

Helen Vogt

Bacharel em Ciências Econômicas pela PUCRS. Certificada ANCORD®, CPA-20 e CFP®. Líder de Previdência na Blue3 Investimentos, com passagens pela Icatu Seguros, Banrisul e Citibank.

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