Asset Allocation: agosto forte para ativos voláteis

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Asset Allocation: agosto forte para ativos voláteis

15 set 2025

Renan WürfelRenan Würfel

Impossível não falar do resultado do índice Ibovespa em agosto de 2025: forte alta mensal de 6,28%.

Quem diria, né? Em meio a tantos ruídos internos — política efervescente, julgamento no STF, guerra fiscal com os Estados Unidos, alta tensão geopolítica global — nossa bolsa entregou quase 18% no ano.

Correlações no mercado

Na economia, diversos índices e fatores estão interligados entre si, com correlações diretas e inversas.

Em momentos de destempero, costuma-se dizer que há um “impostor”, quando determinado ativo não deveria ter ido na mesma direção que seu par inversamente correlacionado.

Mas em agosto não foi esse o caso.

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CDI e renda fixa

O ativo mais conservador e referência para o mercado de renda fixa, o CDI, segue rendendo.

Com a Selic em 15% ao ano e o Banco Central mantendo a postura conservadora, os ativos atrelados ao CDI entregaram acima de 1% ao mês, acumulando 9,03% em oito meses.

IRF-M e IMA-B também tiveram bons resultados no mês, acumulando 12,94% e 8,84% no ano, respectivamente.

A marcação a mercado dos títulos ajudou, já que o fechamento das curvas elevou os preços e trouxe retornos adicionais.

Multimercados

O índice IHFA, que mede a performance dos multimercados, teve alta de quase 2,5% em agosto.

Quando a renda variável é tão positiva, dificilmente esses fundos ficam para trás. Uns mais, outros menos, mas o movimento acaba levando a classe como uma onda.

Ativos internacionais

O S&P500 registrou mais um mês de máximas históricas, superando turbulências tarifárias e geopolíticas, com alta de quase 2%. No ano, acumula 9,84%.

Já o dólar segue em fraqueza.

A moeda americana caiu quase 3% ante o real no mês, acumulando desvalorização de 12,37% em 2025.

Os motivos são muito mais externos do que internos, mas o efeito é claro na valorização da nossa moeda.

Ativos de risco no Brasil

O Ibovespa subiu mais de 6%, apoiado pelo fluxo de capital estrangeiro.

O IFIX, índice dos fundos imobiliários, também avançou mais de 1%.

Apesar disso, o investidor brasileiro segue cauteloso e, em grande parte, de fora da bolsa, preocupado com o ambiente político e fiscal e marcado pelos anos desafiadores recentes.

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A média dos índices

A média geral dos índices fechou agosto em 8,40%. Para o investidor acostumado com 1% ao mês, não está ruim.

Mas se retirarmos o dólar da conta, a média anual sobe para 11,37% em oito meses.

Como o dólar é referência de moeda e não de ativo, a visão por estratégia mostra um 2025 positivo até aqui.

Olhando para frente

De agosto a dezembro, muita coisa pode acontecer.

Acredito que um ciclo consistente de bons ventos para o mercado só virá com a eleição presidencial de 2026.

Até lá, é preciso acompanhar de perto, focar nos fatos e não se deixar levar por movimentos de curtíssimo prazo.

Muito desse resultado até aqui é reflexo de um mundo geopoliticamente fragilizado, que trouxe ao Brasil um fluxo inesperado de capital, apesar dos nossos ruídos internos.

Para o investidor estrangeiro, o “normal” do Brasil já é instabilidade, e por isso acabamos sendo opção menos volátil entre emergentes.

Conclusão

É difícil acreditar em mares calmos à frente, tanto no cenário interno quanto no externo. O ideal é esperar por menos conflitos, menos tarifas e mais negócios.

Internamente, seguimos aguardando um governo mais responsável do ponto de vista fiscal e das contas públicas, o que poderia destravar muito potencial do nosso mercado de capitais.

Até lá, a diversificação segue como o grande ponto — e nossa tabela de Asset Allocation está aí para provar isso.

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Renan Würfel

Renan Würfel

Economista formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Pós Graduado em Finanças e Planejamento pela Universidade Federal de Uberlândia. Sócio e assessor de investimentos na Blue3 Investimentos, XP.

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