Imposto de Renda 2025: golpes por e-mail, apps falsos e até boletos ameaçam sua restituição
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Imposto de Renda 2025: golpes por e-mail, apps falsos e até boletos ameaçam sua restituição
10 abr 2025•Última atualização: 10 abril 2025

O ciclo de declaração do Imposto de Renda 2025, referente ao ano-base 2024, concentra, historicamente, um pico de ataques cibernéticos com foco em identidade fiscal e movimentações bancárias.
Em 2024, a Kaspersky identificou crescimento de mais de 25% nas tentativas de phishing com temática tributária, enquanto a FEBRABAN reportou prejuízos superiores a R$ 10 bilhões em fraudes digitais no Brasil, especialmente em períodos de grande exposição financeira como o IR.
Em março de 2025, a própria Receita Federal confirmou o retorno de fraudes por correspondência física, em que criminosos simulam cobranças fiscais com boletos falsos enviados por carta, visando contribuintes menos digitais e vulneráveis à estética institucional.
Principais vetores de fraude na declaração do IR
A seguir, os mecanismos de ataque mais recorrentes, segundo fontes oficiais e análise técnica:
- Portais clonados da Receita Federal, com campos para CPF, contas e credenciais do gov.br;
- Aplicativos paralelos ao programa oficial, oferecidos via APK e hospedagens obscuras;
- Arquivos maliciosos disfarçados de informes de rendimento, disseminados via e-mail;
- Mensagens de “pendência fiscal” com links falsos, enviadas por SMS ou WhatsApp;
- Malwares como o “Coyote”, especializados na captura silenciosa de dados bancários e credenciais digitais.
Caso documentado: Em 2024, golpistas simularam comprovantes de restituição enviados via e-mail e Erro na Declaração do Imposto de Renda. Ao clicar, a vítima instalava um malware com acesso total a contas bancárias e sistemas declaratórios.
Perfil de risco: quem está mais exposto?
- Contribuintes que operam sem assessoria tributária formal;
- Profissionais seniores e aposentados, alvos preferenciais de ataques por correspondência;
- Empresários e autônomos, que concentram dados sensíveis fiscais e financeiros no mesmo dispositivo;
- Pessoas físicas com alto volume de transações e pouca vigilância digital.
Fraudes físicas e reputação institucional: o desafio da aparência legítima
A Receita Federal esclarece que não realiza cobranças via boleto físico, mas confirma o envio de comunicações por carta — como no Projeto Cartas 2024, voltado a contribuintes retidos na malha fina.
Enquanto isso, criminosos vêm utilizando:
- Papel timbrado falsificado com logotipia da Receita;
- Linguagem técnica jurídica e códigos de rastreio;
- QR Codes e datas de vencimento falsas.
O risco, portanto, não está apenas na tecnologia, mas na semelhança com a autoridade legítima.
Projeções e riscos emergentes no ecossistema tributário digital
De acordo com relatórios recentes de cibersegurança:
Tendências observadas:
- Engenharia social com dados reais do contribuinte;
- Sites e aplicativos com aparência idêntica à da Receita;
- Ataques físicos e híbridos com boletos e correspondência;
- Exploração do comportamento emocional do contribuinte.
Projeções para 2025 e além:
- Uso crescente de inteligência artificial para simular interações oficiais;
- Deepfakes, vishing e ataques por voz simulando órgãos públicos;
- Fraudes distribuídas em pequena escala, com baixo rastreio unitário.
Estratégias de mitigação para o contribuinte
A seguir, práticas essenciais para redução de risco:
Infraestrutura e acesso
- Utilize apenas o portal oficial da receita;
- Ative autenticação de dois fatores (2FA) no gov.br, bancos e e-mail;
- Use dispositivos próprios, com antivírus atualizado e conexão privada.
Comunicação
- Não clique em links enviados por SMS, WhatsApp ou e-mails não verificados;
- A Receita não envia links nem solicita dados por esses meios.
Compartilhamento de dados
- Compartilhe documentos fiscais apenas por meios digitais confiáveis.
Monitoramento
- Utilize o Registrato do Banco Central para identificar movimentações suspeitas
- Acesse periodicamente o e-CAC para verificar pendências legítimas.
Conclusão
A cada novo ciclo de Imposto de Renda, os criminosos sofisticam seus métodos, adaptando linguagem, aparência institucional e canais de ataque.
O problema não é a Receita. É o que se parece com ela.
Seja por meio de um boleto, um e-mail convincente ou um aplicativo com design institucional, o ataque começa com a quebra da atenção e termina no comprometimento da identidade tributária.
Em tempos de alta exposição digital, segurança é parte do planejamento fiscal.
Fontes e Referências

Tiago Guimaraes
Especialista em Riscos Cibernéticos e Segurança Digital com mais de 15 anos de experiência, incluindo mais de 5 anos no setor financeiro.
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