O papel da sorte: reconhecendo o impacto do inesperado nos investimentos
coluna-especialistas
O papel da sorte: reconhecendo o impacto do inesperado nos investimentos
17 set 2025•Última atualização: 17 setembro 2025

"De vez em quando, alguém faz uma aposta arriscada em um resultado improvável ou incerto e acaba parecendo um gênio. Mas devemos reconhecer que isso aconteceu por causa de sorte e ousadia, não por habilidade." – Howard Marks
No mercado financeiro, é fácil confundir resultado com competência. Uma operação bem-sucedida pode ser fruto de uma análise precisa… ou simplesmente de um golpe de sorte. Da mesma forma, perdas podem acontecer mesmo quando a estratégia foi bem planejada.
Reconhecer o papel da sorte nos investimentos não é desvalorizar o esforço ou o conhecimento, mas aceitar que o acaso desempenha um papel central em nossos resultados.
Receba Informações do Mercado Financeiro em Tempo Real. Entre para nossa Comunidade no Whatsapp!!!
Nem tudo está sob nosso controle
Podemos estudar balanços, avaliar cenários macroeconômicos, acompanhar ciclos de mercado e ainda assim sermos surpreendidos. Crises financeiras globais, mudanças políticas abruptas, pandemias ou eventos geopolíticos são exemplos de fatores que fogem completamente do controle do investidor.
Daniel Kahneman e Amos Tversky, em seus estudos sobre economia comportamental, mostraram que o ser humano tem uma tendência natural a subestimar o acaso. Chamamos de “habilidade” o que muitas vezes é apenas sorte.
Esse viés de atribuição pode levar ao excesso de confiança em momentos de sucesso, e à sensação de incompetência injusta em momentos de fracasso.
Nassim Taleb vai ainda mais longe em Iludidos pelo Acaso: segundo ele, a história dos mercados é escrita pelos vencedores que, muitas vezes, tiveram apenas o benefício da aleatoriedade a seu favor. Sobreviventes de riscos extremos são celebrados como gênios, quando talvez tenham apenas “sobrevivido por pouco”.
Diferenciar sorte de habilidade
Um dos maiores desafios do investidor é distinguir quando um bom resultado foi consequência de habilidade e quando foi apenas sorte. Buffett costuma dizer: “Só quando a maré baixa é que descobrimos quem estava nadando nu.”
Isso significa que retornos extraordinários em tempos de bonança podem mascarar riscos ocultos. Muitos gestores que pareciam brilhantes antes da crise de 2008 estavam, na prática, apenas alavancados demais em um mercado otimista. Quando o ciclo virou, a sorte se esgotou, e a falta de habilidade ficou evidente.
Por isso, Howard Marks alerta que avaliar o processo é mais importante do que avaliar o resultado isolado. O investidor deve se perguntar: a decisão foi tomada com base em fundamentos sólidos e disciplina? Se sim, mesmo que o desfecho não tenha sido positivo, a estratégia ainda é válida.
Focar no processo, não no acaso
A sorte pode influenciar os resultados de curto prazo, mas é a consistência do processo que garante o sucesso no longo prazo. Essa é a mentalidade dos grandes investidores: não se trata de acertar sempre, mas de errar menos e proteger o capital.
Taleb resume bem essa ideia: “Você pode estar errado e ganhar dinheiro, ou estar certo e perder dinheiro. O que importa é se sua estratégia é robusta ao acaso.” O investidor que entende isso busca construir portfólios resilientes, preparados para diferentes cenários, em vez de depender de “golpes de sorte”.
A humildade como antídoto
Reconhecer o papel da sorte nos investimentos nos torna mais humildes. Evita que o sucesso momentâneo suba à cabeça e impede que o fracasso nos paralise. Como dizia Marks: “A linha que separa sorte de habilidade é tênue demais para ser ignorada.”
Essa humildade é essencial para manter a disciplina. Ao invés de comemorar ganhos isolados ou se desesperar diante de perdas pontuais, o investidor foca em melhorar continuamente o processo de decisão.
Conclusão: consistência acima do acaso
No fim das contas, o mercado sempre terá um componente incontrolável. Mas quem reconhece o papel da sorte não se deixa enganar por vitórias aleatórias nem se destrói por fracassos temporários.
O que realmente importa é a qualidade das decisões tomadas repetidamente ao longo do tempo. No curto prazo, a sorte pode até ditar quem ganha ou perde. No longo prazo, porém, é a consistência da estratégia, a disciplina e a gestão de riscos que prevalecem.
Como ensinou Howard Marks, o investidor sábio não busca prever o inesperado, mas construir uma forma de prosperar apesar dele.
Este conteúdo foi produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial e revisado por nossa equipe editorial

Rodrigo Guerra Silva
Engenheiro mecânico por formação e profissional no mercado de investimentos desde 2019. Com a certificação CFP, dedico-me a ajudar pessoas a alcançarem seus objetivos financeiros por meio de estratégias bem fundamentadas e uma abordagem personalizada.
Saber mais



