Sucessão malfeita da família Bonfiglioli derruba décadas de negócios
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Sucessão malfeita da família Bonfiglioli derruba décadas de negócios
13 set 2025•Última atualização: 12 setembro 2025

Rodolfo Marco Bonfiglioli morreu aos 98 anos. Morreu rico, poderoso e, como tantos outros fundadores, convencido de que a eternidade lhe devia favores.
A herança dele? Bilhões, provavelmente. A sucessão? Nenhuma.
Filho do comendador Alberto Bonfiglioli, assumiu o império da família. Banco Auxiliar. CICA. O Extrato de Tomate Elefante. Tudo o que a elite paulista da metade do século XX chamava de sucesso.
Construiu. Comandou. Multiplicou. Mas não preparou a única coisa que realmente importa quando o corpo esfria: a ordem para depois.
No dia da morte, o inventário já estava no fórum. Nada simboliza melhor a falência da harmonia do que isso. O filho que ficou com a chave. A filha que ficou com a ira.
O enredo não é novo. Mas é real. Alberto Bonfiglioli Neto, filho curador após a interdição do pai.
Cláudia Bonfiglioli, filha afastada da gestão, fundadora da Casa Hope, agora acusa o irmão de esconder um bilhão de reais em bens. Isso mesmo. Um bilhão.
Ela afirma que ele vendeu obras de arte. Forjou dívidas. Ocultou patrimônios. Trocou prata por silêncio. Ele responde que tudo foi usado para pagar a internação do pai.
Você acredita em quem? Não importa.
Quando a sucessão é malfeita, a verdade perde espaço para a versão com mais advogados.
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Sucessão não é coisa de velho. É coisa de gente que ama.
Não houve holding. Não houve testamento claro. Não houve protocolo familiar.
E, se houve seguro de vida, ninguém sabe. E se ninguém sabe, é como se não houvesse. Não planejar a sucessão é uma escolha covarde disfarçada de esperança.
É apostar que os filhos vão se entender porque são irmãos. Quando, na prática, já não se falam desde a missa de formatura da sobrinha em 2007.
Rodolfo confiou no tempo. O tempo é um péssimo advogado de famílias ricas.
A conta chegou. Oitenta e seis milhões antes mesmo da primeira briga.
Vamos aos números. Quem não fala de dinheiro, morre de surpresa:
| Item | Estimativa conservadora |
|---|---|
| ITCMD (4%) | R$ 40.000.000 |
| Custas judiciais | R$ 5.000.000 |
| Honorários advocatícios (4%) | R$ 40.000.000 |
| Avaliações e registros | R$ 1.000.000 |
| Total inicial | R$ 86.000.000 |
Isso sem contar o custo invisível.
- A humilhação pública.
- O desgaste emocional.
- A memória do pai reduzida a petições, perícias e notas fiscais de leilões de arte.
Seguro de vida. O último gesto que ele esqueceu de fazer.
Com um patrimônio desses, um seguro de vida de cem milhões de reais teria custado menos do que o ego de não querer conversar sobre a morte.
Se houvesse seguro, o imposto teria sido pago. A liquidez teria sido preservada. As obras do pai estariam penduradas em casa. Não no catálogo da Sotheby’s.
Mas não houve. A herança virou tragédia. O espólio virou campo de batalha. O pai virou argumento.
Para quem ainda tem tempo. Morra planejado ou viva com a culpa de não ter feito nada.
Você, que está lendo isto, tem patrimônio. Prestígio. Filhos. E, com sorte, um pouco de tempo.
Saiba: o silêncio não é neutro. Ele protege o mais rápido. Não o mais justo.
Faça o testamento. Crie a holding. Defina os sócios. Compre o seguro. Converse.
Ou espere seu nome virar número de processo quando você já não puder defender sua história.

João Cosme Souza e Silva Pereira
Sócio da Blue3 Investimentos e Especialista em Proteção Financeira e Planejamento Sucessório.
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