Hora de acelerar: como extrair o máximo da renda fixa.
coluna-especialistas
Hora de acelerar: como extrair o máximo da renda fixa.
16 jul 2025•Última atualização: 16 julho 2025

O mercado financeiro, assim como qualquer outro mercado, é dividido em ciclos e entender essa dinâmica pode acelerar os seus planos de acumulação de patrimônio, principalmente quando o foco é no longo prazo.
Uma situação que todos deveriam se preocupar é a formação de um patrimônio financeiro para quando você decidir se aposentar, o rendimento desse recurso possa complementar a sua renda, preservando o padrão de vida da sua família. O tão falado plano de aposentadoria.
A partir de
i) o valor que você tem investido hoje,
ii) o prazo que você tem até a aposentadoria,
iii) a rentabilidade dos seus investimentos, e
iv) o valor que você pretender ter de complementação da renda na aposentadoria é possível calcular o volume de recursos que você precisa acumular e, consequentemente, o valor que você precisa investir todo mês.
Sabendo tirar proveito da situação e aumentando a rentabilidade dos seus investimentos é possível encurtar o prazo até a aposentadoria ou o valor mensal a ser investido, ou ainda, aumentar os valores a serem resgatados no futuro.
Selic e IPC-A, como extrair o máximo
Selic é a taxa básica de juros da nossa economia, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em reuniões realizadas a cada 45 dias, a partir de dados macroeconômicos, do Brasil e do mundo, e modelos matemáticos para manter ou levar a inflação para o intervalo da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
A Selic hoje é de 15% (quinze por cento) ao ano.
O IPC-A, ou Índice Nacional de Preços ao Consumidor – amplo, calculado e divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é o índice oficial de inflação, que no mês de junho foi de 0,24% (vinte e quatro centésimos por cento) e o acumulado dos últimos 12 meses é de 5,35% (cinco e trinta e cinco centésimos por cento).
A meta de inflação atual é de 3% (três por cento) ao ano, podendo variar 1,5% para cima ou para baixo, ou seja, no intervalor compreendido entre 1,5% e 4,5%. A inflação estourou o teto da meta!
Sobe e desce na renda fixa
No primeiro momento, temos um cenário de inflação aumentando ou permanecendo alta. Isso faz com que o Copom, em um segundo momento, aumente a Selic.
Esse movimento freia o consumo e, em um terceiro momento, a inflação diminui.
Uma vez que a inflação está controlada, ou seja, próxima do centro da meta, no quarto momento, o Copom baixa os juros para estimular a economia, sem perder o controle da inflação.
Se o Copom erra a mão, ou políticas de governo, ou fatores externos estimulam a economia a inflação pode sair do controle iniciando um novo ciclo de inflação alta, aumento da Selic etc.
Podemos dizer que estamos na transição do segundo momento para o terceiro. Isso significa que aquele dinheiro que está rendendo 15% ao ano com liquidez diária, em breve vai passar a render cada vez menos.
Como o Copom já sinalizou que não deve mais aumentar os juros , conforme podemos ler na matéria ‘Ata do Copom sinaliza fim do ciclo de alta da Selic’ ficar de olho em títulos de renda fixa pré-fixados acima de 15% ao ano com vencimento entre 1 e 2 anos pode ser uma boa estratégia.
Outra forma de aproveitar o momento é através de títulos atrelados à inflação que estejam pagando acima de IPC-A + 7,5% ao ano, com vencimento mais longo que a sua estratégia de investimento permitir.
Conclusão, Hora de acelerar
Se o sucesso do seu planejamento financeiro depende, entre outros fatores, de rentabilidade de 100% do CDI ou IPC-A + 4% ou 5% a.a., esse é o momento de buscar rentabilidades maiores com risco de renda fixa.
Para isso é importante observar alguns pontos:
- Não ultrapasse os percentuais recomendados para cada classe de ativo. Seu assessor de investimento pode de auxiliar com isso;
- Para emissões bancárias como CDBs, LCAs/LCIs fazer a conta para que no vencimento da aplicação o valor final seja inferior ao limite do Fundo Garantidor de Crédito (FGC);
- Para títulos de crédito privado, não ter exposição superior a 5% do patrimônio, por emissor com nota de rating alta (A à AAA). Para notas de ratings menores, diminuir também o percentual a ser alocado, não sendo recomendável a alocação em títulos classificados como Grau Especulativo.
Deixar para fazer esse movimento quando os juros começarem a baixar pode ser tarde demais e você terá que esperar até o próximo ciclo.

Kalinin Filho
Formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pelo IESB/DF, pós graduado em Finanças, Investimentos e Banking pela PUC-RS, e MBA em Planejamento Financeiro Pessoal e Familiar pela Escola Galícia de Gestão. Assessor de Investimento certificado Ancord desde março/2019, e sócio da BLUE3 | XP Investimentos.
Saber mais



